O Cenário Político de São Gonçalo
Em novembro do ano passado, Douglas Ruas (PL), secretário das Cidades do Rio e nome promissor da direita fluminense, participou do podcast “Papo Reto”, onde abordou temas como segurança pública e armamento. Durante a conversa, Ruas, que exibe um discurso preparado e uma postura tranquila, se conectou com a linha-dura defendida por Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência. Com apenas 37 anos, o ex-policial civil e filho do capitão Nelson, atual prefeito de São Gonçalo e conhecido por sua atuação no 7º BPM, tem despertado a atenção da população fluminense.
Ruas recordou os tempos do pai, evocando uma nostalgia nos ouvintes que compartilham suas memórias e críticas ao sistema de Justiça. O secretário não hesitou em atacar o Judiciário, que, segundo ele, favorece a criminalidade, uma opinião que ecoa entre os apoiadores da chamada “bancada da bala”. Ele argumentou que a construção de novos batalhões da PM em municípios como São Gonçalo e Nova Iguaçu é urgente, buscando captar o apoio de eleitores que desejam uma abordagem mais rigorosa em segurança.
A Resposta de Paes e a Mobilização Política
Após a operação que resultou na morte de 122 pessoas no Complexo do Alemão, um evento que teve aprovação de 64% da população, segundo a pesquisa Quaest, o atual governador Eduardo Paes se mostra cauteloso. O governador e seu grupo político estão relutantes em confrontar uma figura que pode atrair a atenção de uma parte do eleitorado que clama por medidas mais enérgicas em relação à segurança. A popularidade de Ruas, especialmente em São Gonçalo, preocupa Paes, que já começou a adotar estratégias para conter a candidatura do ex-secretário.
Desde o final do ano passado, Paes implementou medidas que favoreceram o município de São Gonçalo, como a renúncia a parte da receita de royalties para aumentar os recursos da cidade. Além disso, o governador tem insinuado que, caso Ruas opte por concorrer a deputado estadual, ele poderá ser um aliado importante na Assembleia Legislativa, o que ajudaria Paes a manter seu controle político na região nas próximas eleições de 2028.
Desafios Futuros e a Concorrência no Cenário Político
As dificuldades enfrentadas por Paes desde sua reeleição em 2024, em um cenário onde a cidade se transformou em um grande canteiro de obras financiadas por receitas da Cedae e emendas do Orçamento Secreto, são evidentes. Com a diminuição desses recursos, São Gonçalo passou por um período desafiador em 2025, marcado por protestos de profissionais da educação que demandavam melhores condições salariais. Mudanças na arrecadação do IPTU também provocaram descontentamento, indicando um ambiente político complicado para o governador.
O futuro político de Paes pode ser impactado por jovens líderes do PSD, como Renan Ferreirinha e João Pires, que se preparam para uma dobradinha nas eleições deste ano, ambos almejando resultados expressivos. Com o apoio de prefeitos influentes na região, essa dupla pode se tornar uma alternativa poderosa contra a hegemonia do PL em São Gonçalo nas próximas eleições.
Os Rumos de Douglas Ruas e a Suspensão de Candidaturas
A candidatura de Douglas Ruas ainda depende da decisão do STF em relação à inelegibilidade do ex-prefeito de Duque de Caxias, Washington Reis (MDB), que se encontra em situação delicada de saúde e jurídica. O desfecho desse caso poderá moldar a articulação política no estado, uma vez que Reis é visto como o candidato preferido de Flávio Bolsonaro. Enquanto isso, Ruas precisa decidir se lançará sua candidatura a governador, um passo que poderá representar uma nova era para a política de São Gonçalo.
Por fim, Douglas Ruas se posiciona como uma figura de destaque no cenário político do Rio. Sua ascensão poderá não apenas desafiar Paes, mas também mudar o panorama eleitoral, levando a um embate significativo entre diferentes visões de governo e segurança. Os próximos meses prometem ser cruciais para o futuro das eleições no estado.

