Um Espetáculo que Transcende o Samba Tradicional
Infinito Samba, o mais recente show de Diogo Nogueira, se destaca pela grandiosidade da produção. O artista carioca divide o palco com sua banda, a Orquestra MPB Jazz e os talentosos bailarinos da companhia de dança de Leandro Azevedo. A turnê, que teve sua estreia no Vivo Rio, no Rio de Janeiro, promete percorrer diversas capitais do Brasil após a apresentação de domingo, 1º de março.
A proposta de homenagear o samba em suas diversas vertentes, indo da gafieira ao pagode do Fundo de Quintal, sem esquecer do batuque baiano, é uma ideia já conhecida, mas Diogo Nogueira a transforma em algo único. Seu carisma e a voz poderosa conquistam o público, que vibra e se emociona, mesmo diante da grandiosidade da produção, sem perder a conexão emocional que caracteriza seu trabalho.
Emoções à Flor da Pele
Um dos momentos mais tocantes do espetáculo é o dueto virtual de Diogo com seu pai, João Nogueira, no clássico “Espelho” (1977). Logo em seguida, o cantor se junta ao filho, Davi Nogueira, para interpretar “Além do Espelho” (1992), perpetuando assim a tradição familiar. A presença dessas figuras no palco traz um peso emocional significativo, fazendo com que a plateia se envolva ainda mais com a performance.
Com projeções visuais que intensificam a sensação de suntuosidade, “Infinito Samba” se estende por quase três horas, e a estreia na casa lotada do Vivo Rio sugere que o público poderia aproveitar mais ainda. Contudo, algumas escolhas musicais geraram debate. Por exemplo, “Coisas do Amor (Me Chama)” (2025) tenta evocar o sentimento soul típico de Tim Maia (1942-1998), mas não conseguiu impactar da mesma forma. O funk melody “Garota Nota 100” (1998), sucesso de MC Marcinho (1977-2023), e o samba-canção “Olha” (1975), de Roberto e Erasmo Carlos, também geraram questionamentos sobre sua real necessidade no repertório.
Uma Mistura de Sucessos e Novidades
Apesar das pequenas ressalvas, “Infinito Samba” se estabelece como um marco na carreira de Diogo Nogueira. Sob a direção musical de Jota Moraes, o cantor consegue fazer a orquestra entrar no ritmo do samba, e não o contrário. Com um total de 52 músicas distribuídas em 29 números, incluindo um bis com o animado “Pé na Areia” (2016), o show se abre com a poderosa a capella de “Para Ver as Meninas” (1971), onde Paulinho antecipa a sensação de infinito presente no samba.
A sequência inclui sucessos consagrados e novidades, como “Joga na Minha Cara” (2026) e “Todo Apaixonado Tem um Plano” (2026). O clima se transforma em um salão de gafieira quando os bailarinos entram em cena, e Diogo canta “Noites a Bailar” (2026) e “Domingo” (1993), de Alexandre e Fernando Pires, um dos grandes sucessos do grupo Só Pra Contrariar.
Um Show Cheio de Referências e Conexões
Na emocionante “Quem Vai Chorar Sou Eu” (2013), Diogo dança junto aos bailarinos, enquanto o medley que se segue vai de sambas clássicos, como “Sem Compromisso” (1944) e “Sou Eu” (2009), até “Batendo a Porta” (1974). Entre momentos de reflexão com “Uma Saudade” (2026), que discute a dor da perda, e a roda de samba ao estilo Fundo de Quintal, o artista reverencia grandes ícones como Alcione, que participou do show com o dueto “Sufoco” (1977), e Clara Nunes, além de apresentar “Disritmia” (1974) de Martinho da Vila.
Com uma produção opulenta, sob direção artística de Rafael Dragaud, “Infinito Samba” não só exalta o gênero, mas também reafirma o lugar de Diogo Nogueira na história do samba. Com 44 anos e 20 anos de carreira, ele construiu seu nome de maneira independente, sempre honrando a herança que recebeu de seu pai, sempre presente em seu trabalho.

