Chuva e Alegria no Desfile das Campeãs
A forte chuva que caiu sobre o Rio de Janeiro na noite de sábado (21) não foi capaz de desanimar os foliões que se reuniram na Marquês de Sapucaí para o desfile das campeãs. A festa, que contou com apresentações de artistas como João Gomes, Léo Santana e Michel Teló, teve início com energia e terminou ao amanhecer deste domingo (22), com a escola Viradouro sendo a grande campeã do Carnaval carioca.
Mangueira: A Luta pela Justiça nas Notas
O desfile começou com a Estação Primeira de Mangueira, que ficou em sexta posição na competição deste ano. A escola levantou bandeiras de apoio ao casal de dançarinos Matheus Olivério e Cintya Santos, questionando as notas recebidas, que resultaram em uma diminuição de dois décimos em sua apresentação. Um cartaz exposto durante a apresentação dizia: “Mangueira em defesa da dança ancestral”.
A rainha de bateria, Evelyn Bastos, teve um pequeno contratempo, chegando atrasada e precisando se arrumar no primeiro recuo da bateria antes de se juntar aos ritmistas. O enredo da Mangueira, intitulado “Amazônia Negra”, homenageou Mestre Sacaca, um importante curandeiro e figura cultural do Amapá.
Imperatriz Leopoldinense: Homenagem a Ney Matogrosso
A Imperatriz Leopoldinense foi a segunda a se apresentar, conquistando a quinta colocação neste carnaval. Com o samba-enredo “Camaleônico”, a escola homenageou Ney Matogrosso, que desfilou com disposição, mesmo aos 84 anos. Leandro Vieira, o carnavalesco, que também foi campeão da Série Ouro, expressou incertezas sobre seu futuro na agremiação, assim como a rainha de bateria, Iza, que deixou no ar sua continuidade na escola.
Salgueiro: Uma Grande Homenagem à Carnavalesca Rosa Magalhães
Seguindo na maratona de desfiles, a Acadêmicos do Salgueiro, uma das mais tradicionais do Rio, entrou na avenida com um enredo que prestou tributo à carnavalesca Rosa Magalhães. Com o samba-enredo “A Delirante Jornada Carnavalesca da Professora Que Não Tinha Medo de Bruxa”, a agremiação trouxe Viviane Araújo à frente da bateria pela primeira vez com seu filho, Joaquim, que foi muito aplaudido pelo público presente.
Vila Isabel: Homenagem a Heitor dos Prazeres
A Vila Isabel, abordando a conexão entre samba e ancestralidade africana, homenageou o sambista e pintor Heitor dos Prazeres. Com uma classificação geral de terceiro lugar, a escola empatou em pontos com a Beija-Flor, mas ficou com o vice-campeonato devido a critérios de desempate, com jurados notando “canto insuficiente em algumas alas”. Luiz Guimarães, filho do presidente da escola, comentou sobre as punições recebidas, afirmando que foram justas diante das falhas apontadas.
Beija-Flor: Uma Viagem pelo Candomblé
A penúltima escola a fazer sua apresentação foi a Beija-Flor de Nilópolis, que trouxe ao palco a história do “Bembé do Mercado”, um Candomblé de rua mundialmente conhecido desde 1889. A Beija-Flor, que ficou em segundo lugar, se destacou por abrir espaço para Jéssica Martin, sua intérprete feminina, que foi a única puxadora do Grupo Especial neste desfile. Mestre Ciça, homenageado pela campeã Viradouro, também fez sua passagem pela avenida junto à bateria da Beija-Flor.
Viradouro: A Grande Campeã
Por fim, a Viradouro fez sua apresentação ao amanhecer, conquistando o título de campeã do Carnaval carioca com o samba-enredo “Pra cima Ciça”, que homenageou o diretor de bateria Moacyr da Silva Pinto, conhecido como Mestre Ciça. Este foi o quarto título da Viradouro, e a agremiação já anunciou que realizará uma apresentação aberta ao público em Niterói no dia 7 de março, celebrando sua vitória e a alegria do carnaval.

