Movimento Popular em Prol do SUS
No dia 25 de março, o Rio de Janeiro foi palco de um dos maiores encontros em defesa do Sistema Único de Saúde (SUS), reunindo mais de 600 participantes no auditório do Windsor Guanabara Hotel. O evento, denominado Encontro Estadual de Saúde – RJ, funcionou como uma importante etapa preparatória para a 18ª Conferência Nacional de Saúde. Sob o lema “SUS, Democracia e Soberania: Cuidar do Povo é Cuidar do Brasil”, o encontro promoveu debates cruciais sobre temas como financiamento público e a necessidade de fortalecer o Controle Social, elementos essenciais para garantir uma saúde universal e equitativa.
O foco central dessa mobilização no estado foi aprofundar o diálogo sobre o financiamento e a gestão do SUS. A programação foi organizada em torno de três eixos principais: assegurar mais recursos para a saúde, fortalecer o controle social e expandir o acesso a serviços de saúde por meio de modelos integrados e eficazes. O encontro também ressaltou a importância dos Conselhos de Saúde, que atuam como pilares da gestão democrática, promovendo uma interação entre aqueles que elaboram as políticas de saúde e os usuários do sistema.
Democracia e Saúde Pública: Um Diálogo Necessário
O evento teve início com uma apresentação cultural que enfatizou a história da criação do SUS. A esquete “Zé do Caroço”, apresentada pelo Grupo Bacurau, trouxe à tona as realidades vividas nas comunidades, sublinhando que mudanças políticas surgem da organização local. A coordenadora do evento, Vânia Bretas, enfatizou que “não existe saúde pública de qualidade sem a participação ativa da população”.
A conselheira nacional Valquíria Alves relembrou a célebre frase de Sérgio Arouca: “Democracia é saúde, saúde é democracia”. Um clamor unânime ecoou no auditório: “Concurso público é agora!”, evidenciando a reivindicação por estabilidade profissional no setor. A mensagem lida por Rosemary Mendes sintetizou o espírito do encontro ao afirmar que “não há soberania nacional sem um SUS 100% público, gratuito e universal”.
A Voz do Ministro da Saúde e Debates Estruturantes
Um dos momentos destacados foi a apresentação de um vídeo com a mensagem do Ministro da Saúde, Alexandre Padilha. Ele ressaltou a nova abordagem do Ministério, que busca descer aos territórios para ouvir as demandas da população. O conteúdo do vídeo também celebrou o marco de 14,7 milhões de cirurgias realizadas até 2025.
Durante a tarde, os debates se concentraram em questões estruturais. Solange Belchior, conselheira estadual de saúde do RJ, coordenou uma mesa temática e afirmou: “Saúde com mais recursos, mais participação social, mais acesso e trabalhadores valorizados”. A chefe de gabinete do Ministério da Saúde, Eliane Cruz, destacou a transparência no diálogo: “A gente não vem aqui falar sem esperar ouvir críticas… temos compromisso com o que estamos fazendo”. Ela também lembrou os esforços do governo atual para reverter cortes anteriores nas áreas de saúde.
Tribuna Livre e a Participação da Comunidade
Os debates incluíram vozes de participantes que vivem a realidade do SUS. Daniele Moretti, conselheira nacional e estadual de saúde do RJ, fez um apelo sobre a necessidade de presença física nas decisões, enquanto Carlos Alberto, de Duque de Caxias, questionou quando as discussões em gabinetes se transformarão em melhorias concretas. A defesa da estabilidade no serviço público, como garantia de atendimento de qualidade, foi enfatizada por Pedro, que se posicionou contra reformas que ameaçam a estabilidade profissional.
Compromissos Futuros e Mobilização Nacional
O encontro se encerrou com a leitura da “Carta de Compromissos em Defesa do SUS”, que resume as prioridades: financiamento adequado, fortalecimento do controle social e ampliação do acesso à saúde. O documento incorporou a questão da justiça socioambiental como uma meta fundamental. Além disso, o conselho convocou todos os municípios a realizarem Audiências Públicas no dia 7 de abril, Dia Mundial da Saúde, para conectar as lutas locais com a mobilização nacional. A programação foi finalizada com a apresentação da Escola de Samba Império de Charitas, que destacou que a defesa do SUS é, de fato, a defesa da vida e soberania do Brasil.

