O Crescimento dos Data Centers no Rio de Janeiro
O Estado do Rio de Janeiro está se posicionando para se tornar um polo atrativo na corrida por investimentos em data centers, com diversas iniciativas, tanto públicas quanto privadas, visando expandir a infraestrutura digital e de inovação na região. Essa movimentação acompanha o crescimento acelerado do setor, que já apresenta perspectivas otimistas.
Recentemente, o mercado de data centers na América Latina teve um crescimento de 20% em 2025, alcançando uma capacidade de 1,1 gigawatt (GW), conforme apontado pela consultoria JLL. A previsão é que esse número aumente em até 60% nos próximos anos. No Brasil, São Paulo e Barueri lideram com aproximadamente 45% da capacidade instalada, seguidos por Campinas, que possui 34%. O Rio de Janeiro ocupa a terceira posição, com cerca de 13%.
Projetos em Destaque e Potencial de Expansão
Bruno Porto, gerente de negócios imobiliários da JLL, destacou que o estado já conta com pelo menos dois grandes projetos em andamento para os próximos anos: o Porto do Açu, localizado em São João da Barra, e o Rio AI City, na Barra Olímpica. Porto enfatiza que esses empreendimentos têm o potencial de aumentar significativamente a participação do Rio de Janeiro no cenário nacional de data centers.
A Barra, junto com São João de Meriti — que já abriga empresas do setor —, está se preparando para novos lançamentos. Entretanto, a escassez de terrenos leva a uma expansão das iniciativas para áreas como Queimados e Duque de Caxias.
Rio AI City: Um Polo Estratégico
Entre os projetos mais relevantes está o Rio AI City, que foi anunciado pela prefeitura do Rio em parceria com a Elea Data Centers. A iniciativa visa criar um polo na região do Parque Olímpico, uma localização estratégica, aproveitando a infraestrutura de cabos de fibra óptica de alta velocidade utilizados em eventos, além de sua proximidade com cabos submarinos de internet.
Com uma capacidade inicial projetada de 1,5 GW — suficiente para abastecer uma cidade de médio porte — e possibilidade de expansão para até 3,2 GW, estudos recentes sobre a infraestrutura elétrica foram concluídos em colaboração com a Axia Energia. A análise considerou a disponibilidade de energia na subestação de Jacarepaguá e as obras necessárias para reforçar a rede elétrica da região.
A Infraestrutura e os Desafios Regulatórios
A Light, uma distribuidora de energia local, já garantiu 250 MW para o complexo até o próximo ano, volume que sustenta a primeira fase do projeto. Alessandro Lombardi, presidente do conselho da Elea, comentou sobre o andamento das obras e a necessidade de obter as autorizações necessárias junto à prefeitura.
Mariana Hanania, diretora de pesquisa de mercado da Newmark, destacou que, apesar de o Rio reunir grandes operadores e projetos promissores, a cidade ainda enfrenta desafios para alcançar a escala dos hubs estabelecidos, principalmente devido aos altos custos que impactam sua competitividade. Ela também observou que há uma tendência de descentralização, permitindo que municípios vizinhos se beneficiem dessa dinâmica.
Inovações e Sustentabilidade
Além de instalações industriais, o Rio deve ganhar um novo centro de dados no Porto Maravalley, que será um hub inovador para startups e pesquisadores. O projeto inclui uma infraestrutura de processamento de dados e espaços colaborativos, como um “AI Café”. Daniel Barros, CEO do Maravalley, afirmou que estão sendo construídas bases para uma nova era de inovação no Rio, focando em dados e tecnologia.
Em Niterói, a prefeitura está investindo no Distrito de Inovação da Cantareira, que será inaugurado em breve. O projeto integra universidades, centros de pesquisa e o setor produtivo, promovendo soluções em inteligência artificial e computação de alto desempenho, além de um data center de alta performance.
Implicações Fiscais e Regulatórias
No entanto, a falta de benefícios fiscais representa um grande desafio para o setor. A Medida Provisória 1.318/2025, que estabelecia um regime especial de tributação para serviços de data center, caducou sem votação. O governo, em resposta, lançou o Projeto de Lei 278/2026, que já recebeu aprovação da Câmara e aguarda votação no Senado.
Segundo a Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom), os impostos representam cerca de 30% do custo total de um data center no Brasil, sendo que 64% desse valor se refere ao ICMS. Essa alta carga tributária torna o Brasil, em média, 30% mais caro que concorrentes como Chile e Colômbia, o que pode comprometer a atração de novos investimentos.
Para Sergio Sgobbi, diretor da Brasscom, a urgência e a competitividade são fundamentais. Uma decisão positiva do Confaz — que poderá facilitar a redução do ICMS para data centers — seria uma mensagem clara ao mercado de que o Brasil está disposto a competir. Ele alerta que, sem essa agilidade, investimentos podem migrar para mercados mais favoráveis.

