Investigação na Mira da CVM
A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) aprovou na última sexta-feira (6) a formação de um grupo de trabalho voltado para a análise de informações acerca do Banco Master, da Reag e de entidades relacionadas. Essas instituições estão sob investigação devido a operações realizadas pela Polícia Federal, que levantaram suspeitas de atividades fraudulentas.
O novo grupo será vinculado ao Comitê de Gestão de Riscos da CVM, órgão responsável pela supervisão da conduta dos administradores de empresas cujas ações estão listadas em bolsas e fundos de investimento no Brasil. As suspeitas em torno do Master e da Reag giram em torno da manipulação de dados financeiros, com o objetivo de inflar o patrimônio de alguns fundos.
A CVM já possui uma lista de processos em andamento contra essas instituições e seus gestores, embora nenhum deles tenha resultado em condenações até o momento. De acordo com a autarquia, a prioridade inicial do grupo de trabalho será acessar informações sobre as atividades de supervisão, fiscalização e acusação em relação a inquéritos e procedimentos instaurados nos últimos anos, além de comunicações feitas a outros órgãos públicos.
Em nota, a CVM destacou que a finalidade do grupo é “consolidar e sistematizar fatos, processos e informações”, visando aprimorar o diagnóstico institucional e garantir um acompanhamento mais próximo das ações em curso, além de prestar contas à sociedade.
Prazo e Objetivos do Grupo de Trabalho
O grupo terá um prazo de três semanas para concluir seus trabalhos, que incluirão a avaliação de possíveis melhorias nas áreas de regulação, supervisão, governança processual e cooperação institucional. Essa iniciativa surge em um momento em que a CVM se viu no centro de um debate político, especialmente após as operações que envolveram o Banco Master e a Reag.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, chegou a sugerir que o Banco Central assuma a fiscalização dos fundos de investimento, ressaltando a importância de uma supervisão mais rigorosa. Na terça-feira (3), o senador Renan Calheiros, do MDB-AL, declarou que a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado está a caminho de aprovar mudanças legislativas que ampliariam o escopo regulatório do Banco Central, reforçando sua atuação na fiscalização dos fundos.
Investigações Pendentes e Consequências
Com relação à Reag, a CVM está investigando desde 2024 possíveis irregularidades associadas a fundos que aplicaram recursos em ações do antigo Banco do Estado de Santa Catarina (Besc). Essa temática de fraudes foi uma das questões levantadas pela Polícia Federal durante suas investigações.
Executivos do Banco Master que estão sendo investigados pela Polícia Federal conseguiram evitar julgamentos anteriores na CVM sobre supostas irregularidades no mercado financeiro, firmando acordos que totalizaram R$ 6,1 milhões. Entre os que se beneficiaram desses acordos estão o proprietário do Master, Daniel Vorcaro, e os executivos Luiz Antonio Bull e Angelo Antonio Ribeiro da Silva, todos os quais foram detidos durante as operações que visavam elucidá-los.
Curiosamente, esses executivos já haviam enfrentado processos anteriores na CVM, os quais foram arquivados. Em um comunicado recente, a CVM enfatizou que “manterá a sociedade informada sobre medidas institucionais relevantes relacionadas ao tema”, reafirmando seu compromisso com a transparência e a responsabilidade na fiscalização do mercado financeiro brasileiro.

