Concentração de Riqueza em Níveis Alarmantes
O recente relatório da Oxfam, intitulado “Resistindo ao Domínio dos Ricos: Protegendo a Liberdade do Poder dos Bilionários”, apresentou dados alarmantes sobre a desigualdade econômica mundial. Segundo o documento, a fortuna acumulada pelos bilionários cresceu impressionantes US$ 2,5 trilhões em apenas um ano, o que é suficiente para erradicar a pobreza extrema no planeta 26 vezes. Enquanto isso, a realidade é dura: cerca de 25% da população global enfrenta alguma forma de insegurança alimentar, incluindo a fome. A divulgação do relatório aconteceu na véspera da abertura do Fórum Econômico Mundial (WEF) em Davos, Suíça, um evento que reúne líderes políticos e econômicos de todo o globo.
Políticas Pro-Ricos e Suas Consequências
A Oxfam aponta que o crescimento acelerado da riqueza dos bilionários é resultado de políticas implementadas durante a administração de Donald Trump nos Estados Unidos. Essas políticas incluem a redução de impostos sobre grandes fortunas e a diminuição das regulamentações, criando um ambiente que favorece a acumulação de riqueza pelas elites. O relatório ressalta que essas decisões permitiram que os mais ricos retivessem mais renda e pagassem proporcionalmente menos impostos, exacerbando a desigualdade.
Apesar de os bilionários dos EUA terem registrado os maiores aumentos em suas fortunas, o fenômeno é global. Bilionários de outras regiões também viram seus patrimônios aumentarem em dois dígitos, impulsionados pela valorização de setores como tecnologia e inteligência artificial. Para se ter uma ideia, os dez bilionários mais ricos do mundo detêm aproximadamente US$ 2,4 trilhões, um montante que supera a riqueza de metade da população global, o que equivale a mais de quatro bilhões de pessoas.
Bilionários do Brasil: Cenário Preocupante
No Brasil, a situação não é diferente. O país lidera a América Latina em número de bilionários, com 66 indivíduos acumulando cerca de US$ 253 bilhões. De acordo com a Oxfam, 10% da população mais rica detém 70% da riqueza nacional. Isso é reflexo de um sistema tributário que, historicamente, penaliza as camadas mais pobres. O estudo ressalta que a maior carga tributária recai sobre a renda do trabalho, enquanto os mais ricos, incluindo herdeiros e investidores, pagam proporcionalmente menos.
A Influência dos Bilionários na Política
Outro ponto destacado no relatório é como a concentração de riqueza se traduz em poder político. A Oxfam estima que bilionários têm 4 mil vezes mais chances de ocupar cargos políticos do que cidadãos comuns. Uma pesquisa realizada em 66 países mostra que quase metade dos entrevistados acredita que os ricos compram eleições em seus países. Além disso, a presença de super-ricos em eventos internacionais, como a COP28 da ONU, é alarmante. Por exemplo, 34 bilionários participaram desse evento, muitos deles provenientes de setores poluentes.
Concentração de Mídia e Poder
A concentração de riqueza não se limita à economia; ela também permeia a mídia e as plataformas digitais. Um número significativo das maiores empresas de mídia do mundo é controlado por bilionários. Exemplos incluem a compra do Washington Post por Jeff Bezos e do Twitter/X por Elon Musk. O controle da mídia por super-ricos levanta preocupações sobre a liberdade de expressão e a diversidade de opiniões.
Propostas para Reduzir a Desigualdade
Frente a esse cenário, a Oxfam defende que os governos devem colocar a redução da desigualdade econômica como prioridade em suas agendas. Para tanto, a organização propõe planos nacionais com metas claras voltadas à redistribuição de renda, fortalecimento de serviços públicos e uma tributação mais efetiva dos super-ricos. Segundo a Oxfam, reformas pontuais têm se mostrado insuficientes para enfrentar a desigualdade estrutural que afeta tanto a economia quanto a democracia.
Como afirmou Amitabh Behar, diretor-executivo da Oxfam Internacional, “a crescente lacuna entre os ricos e o resto da sociedade está criando um déficit político altamente perigoso e insustentável”. O relatório conclui que ações concretas são urgentes para reverter este quadro alarmante de desigualdade.

