A saída conturbada de Coutinho
A decisão de Philippe Coutinho de deixar o Vasco pegou a diretoria de surpresa, que desejava renovar seu contrato até o fim do ano, já que o vínculo terminaria em junho. No entanto, os sinais que vinham do campo indicavam um cenário de frustração. O jogador, que retorna ao clube que o revelou, saiu pela porta dos fundos, após perder o apoio das arquibancadas e ser alvo de vaias nos últimos jogos em São Januário.
Durante sua passagem, Coutinho, de 33 anos, disputou 81 partidas, anotando 17 gols e contribuindo com sete assistências. A expectativa era alta para um atleta que já brilhou em grandes clubes europeus e fez parte da seleção brasileira em uma Copa do Mundo. Contudo, a realidade mostrou que o Coutinho atual apresenta um descompasso em relação ao jogador que encantou o mundo em 2010.
Desempenho e lesões
Em um futebol que exige cada vez mais fisicamente, o declínio em sua forma atlética fez com que a magia que o meia tinha em sua melhor fase ficasse ofuscada. Embora tenha sido um dos principais líderes técnicos da equipe, esse fator não foi suficiente, especialmente considerando o estilo de jogo proposto pelo técnico Fernando Diniz, que tentou de diversas formas recuperar o jogador. Além disso, as lesões foram uma constante em sua trajetória por São Januário.
Divisão de opiniões entre os torcedores
A saída de Coutinho gerou uma divisão entre os torcedores do Vasco. Parte deles criticou a falta de participação do atleta em momentos decisivos. Outros, por outro lado, argumentaram que o meia ainda se esforçou em um time que enfrenta grandes dificuldades e que está distante dos títulos há um bom tempo. Nesta temporada, ele se destacou ao ser um dos líderes em participações em gols, com quatro em sete jogos, incluindo três gols e uma assistência.
Momentos marcantes e decepções
Os últimos dois anos trouxeram capítulos importantes nas Copas do Brasil, onde Coutinho teve papel relevante, embora o clube não tenha conquistado o título. Em 2024, ainda emprestado pelo Aston Villa, contribuiu para que a equipe chegasse à semifinal. No ano anterior, já como atleta do Vasco, foi essencial na campanha que o levou à decisão, mas, novamente, não conseguiu brilhar em momentos cruciais, como em clássicos contra o Corinthians.
Além das decepções nas competições, Coutinho não conseguiu levar o Vasco a uma campanha expressiva no Campeonato Carioca, no Brasileirão ou na Copa Sul-Americana. Durante esse período, passou por diferentes treinadores, incluindo Rafael Paiva e Fábio Carille, que também enfrentaram a instabilidade da diretoria.
Um legado misto e mensagens de despedida
Embora tenha deixado o clube sob críticas, Coutinho ainda deixa algumas memórias positivas, como a goleada de 6 a 0 sobre o Santos no Brasileirão do ano passado, onde marcou dois gols. No auge do desempenho da equipe, entre agosto e outubro de 2025, ele foi destacado individualmente, fazendo com que a torcida até pedisse sua convocação para a seleção brasileira. No entanto, essa fase de brilho foi efêmera.
Agora, Coutinho sai com a imagem arranhada, em meio à turbulência que o Vasco enfrenta. A equipe está na semifinal do Campeonato Carioca, onde enfrentará o Fluminense, mas sem um de seus principais jogadores. O trio Coutinho, Pablo Vegetti e Rayan, que prometia, está oficialmente encerrado.
“Minha relação com o Vasco é de amor e vai continuar sendo para sempre. Com o coração apertado, eu entendo que agora seja o momento de dar um passo para trás e encerrar esse ciclo no Vasco. Sou grato por tudo que vivi aqui”, declarou Coutinho em suas redes sociais, deixando uma mensagem de despedida aos torcedores.

