Secretário de Saúde e Protesto de Profissionais: Um Conflito Latente
A recente declaração do secretário de Saúde do Rio de Janeiro, Daniel Soranz, provocou polêmica ao se referir a médicos e enfermeiros que protestaram no Centro da cidade como uma “meia dúzia de idiotas”. A frase gerou indignação entre profissionais da saúde, que se sentem desrespeitados. Pedro Varjão, médico e diretor de comunicação do Sindicato dos Médicos, afirmou que esse não é um incidente isolado e que o secretário frequentemente ofende a categoria. “Sempre que temos reuniões, ele nos chama de ‘idiotas’, ‘vagabundos’ e utiliza palavras de baixo calão”, revelou em entrevista ao g1.
A reportagem do g1 buscou o posicionamento de Soranz, que argumentou que não é viável realizar um reajuste salarial naquele momento. Ele criticou a manifestação dos profissionais, afirmando: “O que eles querem é aumentar o salário. Fazem uma manifestação num dia em que as pessoas perderam tudo. É desumano”.
Soranz também destacou que na manifestação estavam cerca de 30 médicos de família, ressaltando que o Sindicato dos Médicos representa a situação como se toda a categoria estivesse parada. “A situação é que todos estão trabalhando. Os serviços estão funcionando, e não há justificativa para esse tipo de pressão”, afirmou o secretário.
Demandas dos Médicos e a Crise na Atenção Primária
As principais reivindicações dos profissionais de saúde incluem o cumprimento de acordos anteriores com a prefeitura e a implementação de medidas mais eficazes para enfrentar a crise na Atenção Primária, que é vista como a porta de entrada do Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo Varjão, a sobrecarga de trabalho é uma realidade preocupante. “Cada equipe deveria atender no máximo 3 mil pessoas, mas 70% das equipes estão lidando com mais de 4 mil, o que compromete a qualidade do serviço prestado”, apontou.
Além disso, os médicos denunciam que estão há seis anos sem reajuste salarial, acumulando uma defasagem de mais de 40% em relação à inflação. Uma parte do salário também é variável, dependendo do cumprimento de metas que não são pagas há três anos. Varjão lembrou que, em setembro do ano passado, houve uma reunião com o secretário, que se comprometeu a regularizar essa parte variável até 31 de dezembro de 2025. Contudo, segundo ele, esse compromisso não foi cumprido, e o secretário não ofereceu explicações, mantendo-se inerte diante do processo judicial.
O clima de tensão entre a gestão municipal e os profissionais de saúde se intensifica à medida que as demandas por melhores condições de trabalho e remuneração se tornam cada vez mais urgentes. Para os médicos e enfermeiros, a luta por reconhecimento e valorização é crucial, especialmente em um cenário onde a população depende fortemente dos serviços públicos de saúde.

