Análise das Alianças Políticas em Jogo
O cenário político no Rio de Janeiro se intensifica com a chapa formada por Eduardo Paes e Jane Reis, que traz à tona a polarização entre o apoio ao governo Lula e o flerte com a ala bolsonarista. Recentemente, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) está em processo de avaliação que pode resultar na cassação do governador Cláudio Castro, o que aumenta a tensão no estado. Em meio a isso, a juíza Cármen Lúcia marcou um julgamento crucial, intensificando as especulações sobre a segurança política da atual gestão.
No evento de lançamento da chapa, realizado na sede do MDB, Paes enfatizou a importância de unir diferentes ideologias políticas. Segundo ele, a coordenação de esforços diversos é vital para enfrentar os desafios do Rio, que historicamente apresenta resistência ao petismo. “O que fazemos aqui hoje é juntar um grupo de pessoas que não pensa tudo igual”, afirmou, ressaltando que a política é, acima de tudo, a arte de conectar diferentes vozes.
Jane Reis, que se destacou como uma fervorosa apoiadora de Bolsonaro durante a eleição de 2022, compartilhou momentos marcantes da campanha anterior, quando recebeu o então presidente em Duque de Caxias. O apoio à candidatura de Paes não apenas reflete uma mudança de estratégia, mas também uma tentativa de ampliar a base eleitoral, dada a força das igrejas evangélicas na região.
Uma Aliança Estratégica
O gesto de aliança entre Paes e Reis é considerado estratégico por diversos motivos. Com os dois maiores colégios eleitorais do estado, Rio e Duque de Caxias, a união visa consolidar uma frente forte nas eleições que se aproximam. Além disso, a vice-candidatura de Jane Reis, uma advogada engajada em projetos sociais, reforça o compromisso da chapa com a inclusão e o diálogo com a comunidade evangélica.
Entretanto, a relação dos Reis com os Bolsonaro está sob o olhar atento da Polícia Federal, especialmente após as alegações de falsificação de cartões de vacinação no município. Washington Reis, que anteriormente foi visto como um forte candidato da direita nas eleições, enfrenta desafios legais que complicam sua candidatura. Atualmente inelegível devido a uma condenação, Reis tenta reverter essa situação no Supremo Tribunal Federal.
O fortalecimento da máquina política de Caxias é visto como um trunfo importante para Paes, que precisará de apoio robusto em um ambiente político onde a concorrência com o PL em São Gonçalo promete ser acirrada. A presença de figuras de destaque do MDB, como o presidente Baleia Rossi e o ministro das Cidades, Jader Filho, no evento de apoio, sinaliza a seriedade da aliança regional.
Críticas ao Governo de Cláudio Castro
Durante seu discurso, Paes não hesitou em criticar abertamente o governo de Cláudio Castro. Ele alertou que a população carioca começou a confundir a política com práticas associativas de interesses escusos. “Essas outras forças também vão estar unidas. Como falta (a eles) política, mas outros motivos o motivam, eles vão estar unidos para tentar manter o poder no Estado do Rio”, declarou, deixando claro seu descontentamento com a administração atual.
A demissão de Washington Reis do cargo de secretário de Transportes pelo governo Castro também foi um tema abordado, ressaltando a instabilidade política que permeia o cenário estadual. Reis, que manteve-se como pré-candidato mesmo após sua exoneração, viu sua posição se complicar na esteira de uma série de eventos políticos conturbados, incluindo a prisão de Rodrigo Bacellar, seu substituto.
Ao tocar em questões de segurança pública, Paes utilizou um tom firme: “Ninguém vai ficar de bravata nas eleições… a cumplicidade que o estado tem hoje com vocês vai acabar a partir de janeiro de 2027”, referindo-se a uma crítica direta ao ex-governador Wilson Witzel e suas promessas vazias. Essa declaração mostra a determinação de Paes em se diferenciar em relação aos seus concorrentes e em propor uma nova abordagem à segurança pública no estado.
A chegada do MDB à sua coalizão marca uma mudança significativa na estratégia de Paes, que até o momento contava com apoio de partidos mais à esquerda, como PT e PSB. Apesar das tentativas de aliança com o PP, a complexidade das relações políticas no Rio dificultou as negociações. A expectativa é que mais partidos se juntem à aliança, como sugerido por Washington Quaquá, vice-presidente do PT, que fez um apelo para uma maior inclusão na política local: “É importante que esse país distensione”.

