A Batalha por Apoios Estaduais
Com as pesquisas apontando para uma disputa acirrada pelo Palácio do Planalto, o apoio dos governadores ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) reflete a polarização política que se intensifica em todo o Brasil. Um levantamento realizado pelo GLOBO revela que Lula conta com o respaldo de 12 governadores, número equivalente ao dos que se posicionam como opositores. Outros três governadores ainda não definiram suas posições. Para Flávio, a missão é clara: ampliar as alianças, já que ele dispõe do apoio confirmado de cinco estados, incluindo os gigantes eleitorais São Paulo e Rio de Janeiro.
A divisão do apoio reflete o cenário que se consolidou nas eleições de 2022, onde Lula predominou no Nordeste, enquanto os candidatos de direita se destacaram em outras regiões. Especialistas enfatizam que ter governadores fortes é fundamental para impulsionar um candidato à presidência, embora isso não garanta a migração automática de votos. Outro ponto relevante é que governadores que almejam outros cargos devem deixar suas funções até abril, o que pode impactar suas estratégias.
Segundo o cientista político Murilo Medeiros, da Universidade de Brasília (UnB), a dinâmica regional muitas vezes não se alinha com a política nacional, já que o eleitor tende a separar as esferas. ‘O eleitor pode ter um candidato preferido à presidência, mas optar por um governador de outra corrente política’, ressalta Medeiros.
Demografia e Apoios Distribuídos
Os estados que apoiam a oposição representam uma população superior a 100 milhões de habitantes, quase o dobro dos 52 milhões que vivem nas regiões onde os governadores são aliados de Lula. Entre os governantes que estão do lado do petista destacam-se Jerônimo Rodrigues (PT), na Bahia; Raquel Lyra (PSD), em Pernambuco; e Helder Barbalho (MDB), no Pará. Os líderes de Ceará, Maranhão, Paraíba, Piauí, Rio Grande do Norte, Alagoas, Sergipe, Espírito Santo e Amapá também fazem parte deste grupo.
Curiosamente, Alagoas e Sergipe são os únicos estados governados por aliados de Lula onde ele não venceu Jair Bolsonaro (PL) nas eleições de 2022. O quadro de oposição inclui também duas Unidades Federativas que, em 2018, votaram de maneira contrária ao que os governadores defendem atualmente: Amazonas e Rondônia, que na época deram maioria a Lula.
Flávio também pode contar com o apoio de líderes estaduais como Tarcísio de Freitas (Republicanos), de São Paulo, e Cláudio Castro (PL), do Rio de Janeiro. Outros governadores de estados como Santa Catarina, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul também sinalizam aliança com o senador. Governadores do Distrito Federal, Amazonas e Rondônia pertencem à oposição, mas ainda não declararam oficialmente seu apoio a Flávio.
Divisão na Direita e Desafios à Reeleição
Governadores da oposição, como Romeu Zema (Novo) de Minas Gerais, Ratinho Júnior (PSD) do Paraná, Eduardo Leite (PSD) do Rio Grande do Sul, e Ronaldo Caiado (PSD) de Goiás, também são pré-candidatos ao Planalto, assim como Flávio. Por outro lado, os governadores de Tocantins, Acre e Roraima têm posição indefinida, adicionando mais incertezas ao cenário.
O cientista político Fábio Vasconcellos, professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e da PUC-Rio, aponta que a fragmentação na direita é uma nova variável em comparação com 2022. ‘Os ruídos no campo da direita podem prejudicar a campanha de Flávio, e até mesmo Tarcísio levou tempo para se posicionar a favor do senador. Já para Lula, o suporte dos governadores do Nordeste, onde é forte, é uma vantagem significativa que pode se traduzir em votos’, explica Vasconcellos.
A Estratégia de Lula no Sudeste
O governo federal tem buscado neutralidade entre as siglas do Centrão, que atualmente estão distantes do Palácio do Planalto, incluindo a federação União-PP, como uma estratégia para manter apoios importantes. No Sudeste, Lula se volta para candidatos com forte capilaridade estadual ou com projeção nacional, visando confrontar os atuais governadores ou seus potenciais sucessores.
No Rio de Janeiro, o prefeito Eduardo Paes (PSD), que é um aliado de Lula, está na dianteira da disputa pelo governo contra o candidato do PL. Em São Paulo e Minas Gerais, o ex-presidente tenta unir as candidaturas do ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), e do ex-presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD).
‘Apostar em nomes fortes e reconhecidos nacionalmente dá visibilidade ao governo e possibilita um controle político mais eficaz nos estados-chave’, afirma Carolina Botelho, cientista política do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Neurociência Social e Afetiva.
Desafios nas Eleições Regionais
Enquanto Lula se beneficia de um apoio sólido em várias regiões, dois governadores petistas enfrentam desafios significativos em suas reeleições. No Ceará, o petista Elmano Rodrigues está atrás nas pesquisas de Ciro Gomes (PSDB), que busca uma aliança com o PL, embora a presença política de Michelle Bolsonaro tenha dificultado essa articulação.
Para auxiliar na campanha de Elmano, o governo Lula convocou Camilo Santana, ministro da Educação e ex-governador do Ceará, que também pode ser um nome na chapa caso Ciro mantenha a liderança nas pesquisas.
A Bahia também apresenta um cenário complicado para a reeleição de Jerônimo, que deve enfrentar o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União). Embora ainda não haja acordos formais entre Flávio e ACM, anotações do senador indicam que o PL está considerando essa possibilidade.
O senador Flávio Bolsonaro ainda busca consolidar apoio de governadores como Ibaneis Rocha (MDB) do Distrito Federal e Wilson Lima (União) do Amazonas. Enquanto Ibaneis almeja uma candidatura ao Senado, o apoio de Wilson encontra desafios devido a sua popularidade questionada nas últimas análises.

