Explorando a Cidade do Samba: O ritmo frenético dos preparativos para o carnaval
Com a aproximação das festividades de Carnaval 2026, o GLOBO lança uma ferramenta inovadora que permite aos foliões planejar seus roteiros, incluindo ensaios de escolas de samba, megablocos e os cortejos oficiais, além dos eventos secretos que acontecem nos bastidores. Neste cenário festivo, a realidade dos barracões na Cidade do Samba revela contrastes e segredos que compõem o espetáculo.
Na tarde de quarta-feira, ao cruzar as grades brancas da Rua Arlindo Rodrigues, na região central do Rio de Janeiro, é possível vislumbrar os 12 barracões utilizados pelas grandes escolas de samba da cidade. Esses espaços compartilham características comuns: dimensões amplas, estruturas de cimento e telhados metálicos, além de portas de ferro que identificam cada agremiação.
Após caminhar uma curta distância, os sons de marteladas, serragem e soldas são acompanhados pelas músicas que embalam o trabalho dos colaboradores. Surpreendentemente, o samba não é a única trilha sonora; ritmos como rap, trap, funk e forró definem o clima nos barracões, um verdadeiro reflexo da diversidade cultural brasileira.
Embora os ruídos do lado de fora sejam bem audíveis, a curiosidade sobre o que ocorre no interior das instalações é restringida. As escolas de samba adotam diferentes estratégias para proteger suas obras, utilizando portões trancados, lonas cobrindo as entradas e estruturas de madeira improvisadas para manter segredos.
Um Encontro de Culturas e Ritmos
No centro da Cidade do Samba, um grupo de cerca de 20 turistas admira uma escultura de Laíla, utilizada no desfile da Beija-Flor em 2025. Este cenário contrasta com a movimentação acelerada dos componentes da Mocidade Independente, que se dispersam após uma participação em um programa de TV, enquanto caminhões de entrega transitam pelo espaço.
O frenesi dos trabalhadores, embalados pelas caixas de som, se contrapõe à calma curiosa dos turistas e à eficiência dos entregadores. Em meio a essa dinâmica, as interações dos diferentes atores revelam nuances do evento. Enquanto o desfile na Sapucaí tem um tempo efêmero de 70 minutos, o ambiente nos barracões parece distender o tempo.
Às 14h20, a praça de alimentação, que conta com dois estabelecimentos e um palco para apresentações, se torna um ponto de encontro para funcionários de diferentes escolas, que interagem entre si, mas evitam comentar sobre os trabalhos internos. Um encontro entre diretores de carnaval de escolas distintas chama a atenção, com cumprimentos rápidos e sorrisos que logo se transformam em expressões mais sérias.
Movimento e Emoção nos Barracões
Conforme o dia avança, os trabalhadores e carnavalescos continuam suas atividades. Um profissional, em uma cena digna de um filme, observa uma lona sendo levantada pelo vento e, rapidamente, mobiliza a equipe para evitar danos. Um turista, empolgado, tenta registrar o momento com seu celular, mas é interrompido por um membro da escola que pede, em inglês, que as fotos sejam guardadas. Essa situação ilustra a tensão entre o desejo de registrar a cultura e a necessidade de preservar os segredos da apresentação.
Enquanto isso, do outro lado, um carro alegórico é cuidadosamente manobrado para fora de outro barracão, coberto por um tecido que impede a visualização do que está por trás. A atmosfera se agita à medida que um grupo de turistas acompanha uma apresentação de um casal de mestre-sala e porta-bandeira, enquanto a cidade do samba continua a receber visitantes curiosos.
A interação entre diretores, componentes e celebridades do samba se intensifica à medida que o dia se transforma em noite. Entre acenos e cumprimentos, personalidades como Tia Surica, matriarca da Portela, demonstram animação e ansiedade para o desfile, revelando a expectativa que permeia os bastidores.
Preparativos para a Noite de Desfile
Com o cair da noite, a Cidade do Samba ganha uma nova vida. Centenas de componentes se reúnem nas portas dos barracões para buscar suas fantasias, e as alas coreografadas começam a se posicionar para ensaios. Enquanto isso, os sambas-enredo de 2026 ressoam pelo ambiente, criando uma atmosfera de celebração e expectativa.
Às 20h37, os primeiros bailarinos começam a ensaiar, buscando espaços isolados para preservar os segredos da apresentação. Munidos de mochilas, lanches e garrafas de água, eles se preparam para trabalhar até altas horas da madrugada, realizando testes de maquiagem e ensaios finais.
Enquanto as escolas simulam as condições de iluminação da Marquês de Sapucaí dentro de seus barracões, a frenética atividade nos bastidores se intensifica. Barracões que não têm previsão de encerrar seus preparativos se misturam com aqueles que começam a desacelerar o ritmo. Contudo, todos ultrapassam os horários convencionais, evidenciando o compromisso e a dedicação que caracterizam o carnaval.
O Carnaval como a Sintonia da Comunidade
Às vésperas do desfile, a Cidade do Samba se revela como um ambiente fundamental para o carnaval, longe do brilho da Avenida, mas essencial para a realização do espetáculo. Entre a pressão da competição, as precauções em relação aos segredos e a entrega incondicional dos trabalhadores, os barracões exemplificam a engrenagem invisível que sustenta o evento. Quando as luzes da Sapucaí se acenderem, cada detalhe refletirá as horas silenciosas de trabalho que tornam o carnaval uma manifestação cultural ímpar.

