Celebração da Cultura Brasileira no Carnaval
No segundo dia de desfiles das escolas de samba do Grupo Especial do Carnaval carioca, realizado na noite de segunda-feira (16), quatro agremiações tomaram a Marquês de Sapucaí, prestando homenagens a personalidades marcantes da cultura brasileira, como a icônica Rita Lee e a escritora Carolina Maria de Jesus. Além dessas homenagens, o desfile também exaltou a riqueza da espiritualidade dos povos africanos.
A Mocidade Independente de Padre Miguel foi a primeira a entrar na avenida, às 22h. O enredo da escola, intitulado “Rita Lee, a padroeira da liberdade”, recebeu a assinatura do carnavalesco Renato Lage. A apresentação destacou a trajetória da cantora, que se tornou um símbolo de independência e resistência. O samba-enredo traz versos que fazem referência a músicas populares da artista, que faleceu em 2023, com trechos como: “Sou independente, fácil de amar, livre de qualquer censura. Vem, baila comigo, só de te olhar posso imaginar loucuras”.
Na sequência, a Beija-Flor de Nilópolis desfilou a partir das 23h20, apresentando o Bembé do Mercado, uma manifestação cultural e religiosa do Recôncavo Baiano que celebra o Candomblé. O samba interpretado, que exalta a identidade e a religiosidade afro-brasileira, inclui versos como: “Põe erva pra defumar, um ebó pra proteger, saraiéié bokunan, saraiéié! Nosso povo é da encruza arte preta de terreiro, é mistura de cultura, multidão de macumbeiro”. A apresentação será conduzida pelos intérpretes Nino do Milênio e Jéssica Matin, após a aposentadoria do lendário cantor Neguinho da Beija-Flor.
A Unidos do Viradouro fez sua entrada no sambódromo às 0h55, com um enredo que homenageia Mestre Ciça, um influente personagem na bateria da escola. O samba-enredo, intitulado “Pra cima, Ciça”, traz versos poéticos que remetem à magia do Carnaval e à importância da batida que marca a identidade da escola, destacando frases como: “Quando o apito ressoa, parece magia, num trem caipira, no olhar da baiana, medalha de ouro, suingue perfeito que marca no peito da escola de samba”.
Por fim, a Unidos da Tijuca encerrou a noite entre 2h30 e 3h, trazendo à tona a história de Carolina Maria de Jesus. O enredo destaca a produção literária da escritora e sua luta diante das adversidades, refletindo a resiliência presente em sua obra, especialmente em “O quarto de despejo”. O samba-enredo emocionou a todos com versos profundos: “Eu sou filha dessa dor que nasceu no interior de uma saudade. Neta de preto velho que me ensinou os mistérios, bitita cor, retinta verdade, me chamo Carolina de Jesus, dele herdei também a cruz”. O refrão também ecoou a luta por justiça e a importância da palavra: “Os olhos da fome eram os meus. Justiça dos homens, não é maior que a de Deus. Meu quarto foi despejo de agonia, a palavra é arma contra a tirania”.
A apuração dos pontos das escolas acontecerá na tarde da Quarta-feira de Cinzas (18), na Cidade do Samba, onde se saberá quais agremiações se destacaram nesta celebração da cultura e da resistência brasileira.

