Expectativa em Torno da Reunião com Flávio Bolsonaro
Lideranças do PL estão em compasso de espera para que o senador Flávio Bolsonaro tome uma decisão sobre quem será o candidato do partido ao governo do Rio de Janeiro. A reunião marcada para esta terça-feira, em Brasília, contará com a presença de Flávio, do governador Cláudio Castro e do deputado federal Altineu Côrtes. Além de definir o nome do candidato, a pauta do encontro inclui a possibilidade de atrair a federação União Brasil-PP para compor a chapa. Espera-se que, durante a conversa, sejam discutidas as vagas para vice-governador e Senado, onde se cogita a inclusão de integrantes dessas siglas.
A situação é complicada, pois o PL precisa neutralizar a movimentação do prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), que está buscando formar uma aliança com o PP após conseguir levar o MDB, partido com o qual o PL tinha inicialmente planejado se unir, para sua chapa ao governo. O partido de Jair Bolsonaro se vê dividido entre dois candidatos: Douglas Ruas (PL), secretário estadual de Cidades, apoiado por Altineu, e Felipe Curi, chefe da Polícia Civil, que conta com o apoio de Castro.
A Guerra Fria nos Bastidores
Nos bastidores da política fluminense, Castro e Altineu travam o que pode ser chamado de uma “guerra fria” para conquistar a confiança de Flávio sobre suas respectivas candidaturas. O governador, que não deseja ver sua cadeira ocupada por um aliado de Altineu, defende a candidatura de Curi, acreditando que esse movimento permitiria indicar seu chefe da Casa Civil, Nicola Miccione (PL), para um governo interino no Palácio Guanabara até o fim de seu mandato, caso ele saia para concorrer ao Senado.
A possibilidade de um mandato-tampão será viável apenas se Castro decidir entrar na disputa eleitoral deste ano. Para isso, ele teria de deixar a cadeira até abril, já que não possui um vice para substituí-lo, o que resultaria em uma vacância de poder a ser preenchida pela Assembleia Legislativa (Alerj). Miccione é considerado uma peça chave para a administração de Castro e, segundo aliados, é vital que ele permaneça à frente do governo durante a campanha eleitoral, especialmente quando o próprio governador planeja se candidatar ao Senado.
Desdobramentos e Estratégias de Candidatura
Embora a ideia de Castro permanecer na cadeira de governador tenha gerado certo ceticismo — visto que ele está sob pressão devido a possíveis cassações no Tribunal Superior Eleitoral —, essa permanência pode ser um obstáculo à candidatura de Douglas Ruas. O aliado de Altineu pretende concorrer ao cargo de governador nas eleições de outubro, preferencialmente já com o status de governador interino. No entanto, interlocutores de Ruas afirmaram recentemente que ele está disposto a enfrentar Paes, mesmo que não assuma o cargo antes das eleições, buscando criar condições equitativas com Felipe Curi, que também aceita concorrer sem estar no governo.
Paralelamente, Ruas tem recebido sinais de apoio na federação União-PP, que Flávio está tentando atrair para fortalecer sua aliança no estado e, por extensão, em sua própria chapa presidencial. O prefeito de Belford Roxo, Marcio Canella (União), que é cogitado para concorrer ao Senado, defende uma estratégia conjunta com o aliado de Altineu e se compromete a trabalhar para evitar que a federação dê suporte à candidatura de Paes. “A possibilidade de nos alinharmos a Paes é zero. Meu candidato ao governo é o Douglas Ruas”, afirmou Canella.
Flertando com a Candidatura de Paes
Por outro lado, o PP, que no estado é presidido pelo deputado federal Doutor Luizinho, tem mostrado interesse na candidatura de Paes. Caso a federação se concretize, União e PP terão que alinhar suas candidaturas sob uma mesma chapa. Para contornar essa situação, o PL está considerando oferecer ao PP a indicação do candidato a vice-governador, uma possibilidade que se mostra remota com Paes, que já sinalizou a advogada Jane Reis (MDB) como sua provável parceira de chapa. Anteriormente, Curi também havia sido cogitado para concorrer pelo PP este ano.
Viabilidade das Alianças e as Decisões de Flávio
As definições sobre a composição da chapa dependem fortemente de Flávio Bolsonaro, que busca garantir uma forte representação do PL no Rio, ao mesmo tempo em que pretende expandir suas alianças para a campanha presidencial. O senador vê a união com União e PP como uma maneira de contornar descontentamentos que surgiram em outras regiões, como Santa Catarina, onde a federação está considerando a possibilidade de se afastar do palanque bolsonarista devido à falta de espaço nas chapas. Aliados de Flávio defendem que ele deve reproduzir, na disputa nacional, a mesma estratégia de coalizão que está sendo planejada no estado, indicando um vice proveniente da federação União-PP.

