Estratégias e Coordenações na Campanha de Lula
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva está definindo os contornos de sua campanha para a reeleição, e o núcleo central da equipe foi formalmente estabelecido. Informações obtidas pelo Valor Econômico revelam que a coordenação será liderada por Edinho Silva, presidente nacional do PT, e contará com os ministros Sidônio Palmeira, da Secretaria de Comunicação Social, e Guilherme Boulos, da Secretaria-Geral da Presidência. A tradição do Partido dos Trabalhadores sempre foi que o presidente da sigla ocupe a função de coordenador-geral das campanhas presidenciais.
Conforme uma fonte próxima ao Palácio do Planalto, Sidônio deverá se afastar de sua função atual em julho, com o início oficial da campanha, para assumir o papel de marqueteiro – uma função que já exercia em 2022. Enquanto isso, a pré-campanha está sob a responsabilidade do publicitário Raul Rabelo, parceiro habitual de Sidônio, que já teve um papel crucial na campanha de Fernando Haddad em 2018, conforme reportado anteriormente pelo Valor.
No entanto, a função de Boulos, que não é um cargo oficial, não exige seu afastamento do ministério. Um de seus assessores ressaltou que ele cumprirá a legislação eleitoral, que proíbe servidores públicos de fazerem campanha durante o horário de expediente. Essa mesma regra se aplica ao próprio Lula e aos governadores que buscam a reeleição enquanto ocupam seus cargos atuais.
Procurado para comentar, Edinho Silva afirmou que as funções específicas dentro da coordenação ainda estão sendo definidas e que, por ora, está focado na estruturação dos palanques estaduais.
Palanque em São Paulo: A Situação de Haddad
Enquanto isso, Fernando Haddad, que está entre os favoritos para uma candidatura ao governo de São Paulo ou ao Senado, expressou seu desejo de contribuir para a campanha sem se lançar a um cargo eletivo. Caso isso se concretize, ele poderia atuar como coordenador do programa de governo, função que foi exercida em 2022 pelo atual presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.
Porém, líderes do PT indicam que Lula pretende usar sua viagem ao exterior para convencer Haddad a se candidatar ao governo paulista. O presidente está determinado a garantir que Haddad, atual titular da Fazenda, ofereça um palanque forte no maior colégio eleitoral do país. Lula deixa claro que não aceita a candidatura de Haddad ao Senado, preferindo que ele concentre esforços na disputa pelo governo. Para as vagas de senador no campo lulista, os nomes mais cogitados incluem o vice-presidente Geraldo Alckmin, caso a chapa com Lula não permaneça, e as ministras Simone Tebet, do Planejamento, e Marina Silva, do Meio Ambiente.
Coordenadores no Nordeste e a Montagem dos Palanques
Simultaneamente, os ministros Wellington Dias, do Desenvolvimento Social, e Camilo Santana, da Educação, são considerados nomes fortes para coordenar a campanha no Nordeste. Dias, em entrevista ao Valor, negou que já exista uma definição sobre esses papéis e ressaltou que as decisões sobre a coordenação serão tomadas após o prazo de desincompatibilização de candidatos, que termina em 4 de abril.
Ele frisou que continuará à frente do ministério, mas se colocará à disposição para ajudar na campanha, se convocado. Em 2022, Dias desempenhou um papel ativo como coordenador na região nordestina. Ele recordou que haverá uma coordenação política que envolverá os líderes da chapa, incluindo o candidato a presidente e o vice, além dos presidentes dos partidos aliados. “É comum que várias lideranças se unam e colaborem com a coordenação oficial”, comentou.
Por meio de sua assessoria, Camilo revelou que deixará o Ministério da Educação no final de março e se mostrará disponível para Lula, embora não tenha confirmado sua função como coordenador regional. Assim, o cenário da campanha de Lula para a reeleição se desenha com uma equipe diversificada e focada em fortalecer sua presença eleitoral.

