Contratações Milionárias do Banco Master
O Banco Master, sob a liderança de Daniel Vorcaro, firmou em 2025 contratos com os escritórios dos ex-presidentes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Marcus Vinicius Furtado Coêlho e Felipe Santa Cruz. Essa movimentação, revelada por dados da Receita Federal enviados à CPI do Crime Organizado, destaca os altos valores pagos por serviços jurídicos na instituição. Em 2024, Coêlho recebeu do Banco Master a cifra impressionante de R$ 27,5 milhões, posicionando-se como o advogado mais bem pago entre os contratados.
É importante notar que o pagamento a Coêlho só fica atrás do montante destinado a Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Em relação a Felipe Santa Cruz, a documentação mostra que ele recebeu dois pagamentos no valor de R$ 776 mil cada, totalizando R$ 1,55 milhão. No total, Vorcaro destinou cerca de R$ 304,5 milhões a escritórios de advocacia em 2025, refletindo a busca por suporte jurídico de alto nível.
Influência na Advocacia
Marcus Vinicius Furtado Coêlho é considerado uma figura proeminente no cenário jurídico nacional. Ele presidiu a OAB de 2013 a 2016 e, embora tenha sido cotado para ocupar a vaga deixada por Joaquim Barbosa no STF, a escolha recaiu sobre Edson Fachin, indicado pela então presidente Dilma Rousseff (PT). A influência de Coêlho no meio jurídico brasileiro é inegável, e sua contratação pelo Banco Master reforça a conexão entre instituições financeiras e a elite da advocacia.
Por sua vez, Felipe Santa Cruz, que liderou a OAB entre 2019 e 2022, também possui um histórico marcante. Durante sua presidência, se destacou por seus embates com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), mostrando-se um defensor ativo dos direitos e da independência da advocacia. Além de seu papel na OAB, Santa Cruz ocupou o cargo de secretário na gestão de Eduardo Paes (PSD) na Prefeitura do Rio de Janeiro, o que ampliou ainda mais sua notoriedade política.
Um Cenário Conturbado
As contratações do Banco Master geram discussões sobre a relação entre o setor financeiro e a advocacia, especialmente em um contexto onde transações de grande valor são realizadas. A revelação da quantidade de dinheiro envolvido nas contratações levanta questões sobre a transparência e a ética na atuação de escritórios de advocacia, especialmente considerando o cenário de investigações em curso pela CPI do Crime Organizado. A sociedade observa atentamente as movimentações, aguardando esclarecimentos sobre como esses valores impactam a prática legal no Brasil.
Ainda que a contratação de ex-presidentes da OAB possa ser vista como uma estratégia para garantir suporte jurídico de alto calibre, as cifras envolvidas e os contextos em que essas relações se estabelecem suscitam reflexões sobre a legitimidade e a fiscalização dessas práticas. A história revela que a intersecção entre política, justiça e finanças é complexa, e o caso do Banco Master é mais um capítulo nesse enredo.

