Desafios Enfrentados pelos Servidores
A situação dos atrasos nos repasses financeiros em Petrópolis tem gerado sérios transtornos para os servidores municipais, especialmente para aqueles que atuam na Educação. Professores e funcionários das escolas estão enfrentando dificuldades com os descontos em suas folhas de pagamento referentes a empréstimos consignados e convênios de saúde. Apesar das deduções, os serviços não estão sendo prestados como deveriam.
Um exemplo trágico dessa realidade é a experiência da educadora Aline Couto, de 48 anos, que viu seu filho, diagnosticado com autismo, ser privado de atendimentos essenciais. O plano de saúde, do qual a mensalidade é descontada diretamente de seu salário, simplesmente não estava funcionando. “Normalmente, no início do mês, o meu filho acaba sem terapia. Embora ele não tenha passado um mês inteiro sem atendimento, já houve momentos em que a fonoaudióloga teve que aguardar o recebimento do valor do plano para liberar a terapia. Quando se vai reclamar ou procurar uma solução, descobrimos que é devido à falta de repasse. Isso é um crime; deixar uma criança autista sem terapia”, desabafa a professora.
Implicações para a Saúde dos Servidores
Outro relato preocupante é o do auxiliar Gabriel Abrão, de 39 anos, que quase ficou sem realizar um exame indispensável devido à irregularidade nos repasses do convênio de saúde. Ele planejou marcar a cirurgia dental durante as férias escolares em janeiro, mas ao entrar em contato com o plano, foi informado de que estava suspenso. “Eu preciso fazer uma cirurgia na boca e, para isso, uma tomografia é necessária. Quando fui agendar, me disseram que não poderia ser atendido, pois o plano estava suspenso. Argumentei: ‘como pode estar suspenso se estou pagando?’”, contou Gabriel, visivelmente frustrado.
Iniciativas do Sindicato e Respostas da Prefeitura
Além das dificuldades com os planos de saúde, muitos servidores também têm recebido notificações de cobranças de parcelas de empréstimos que já foram descontadas de seus contracheques, intensificando o sentimento de insegurança entre os trabalhadores. Diante deste cenário insustentável, o Sindicato da Educação de Petrópolis tomou a iniciativa de formalizar uma petição judicial para questionar a situação dos atrasos nos repasses.
Quando a Prefeitura de Petrópolis foi contatada, não se posicionou sobre as denúncias relatadas pelos servidores. Por outro lado, o Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação (Sepe-RJ) mencionou que acionou a Justiça em busca de uma solução. De acordo com o sindicato, a administração municipal informou que está em dia com os repasses, mas até o momento não forneceu qualquer comprovação que sustente suas alegações.
O Sepe-Petrópolis já protocolou uma nova petição na Justiça, solicitando que os bancos informem a situação dos repasses e, agora, aguarda os desdobramentos legais dessa questão. A expectativa é de que a Justiça reconheça a gravidade do problema e promova uma solução que garanta os direitos dos servidores.

