A Polêmica Sobre os Royalties do Petróleo
O petróleo é uma fonte de riqueza extraordinária e, ao mesmo tempo, finita. Apesar de ser um fato amplamente reconhecido, o debate sobre como utilizar esses recursos enquanto ainda estão disponíveis continua a polarizar opiniões. Nossa proposta é clara: ao invés de fomentar desigualdades entre os brasileiros, devemos transformar a receita do petróleo em uma alavanca de desenvolvimento sustentável e colaborativo. Um exemplo disso é o que foi implementado em Maricá, no Rio de Janeiro.
A distribuição dos royalties do petróleo não deve ser encarada como um favor ou privilégio. Na verdade, é regida por critérios técnicos estabelecidos pela ANP (Agência Nacional do Petróleo) e pelo IBGE. Esses critérios visam compensar os impactos gerados pela exploração do petróleo. Maricá, com seus aproximadamente 46 quilômetros de litoral adjacente a áreas de produção em alto-mar, enfrenta intensa pressão urbana, desafios ambientais e uma crescente demanda por melhores serviços públicos e infraestrutura. Portanto, é justificado que a cidade receba uma parcela significativa desses recursos.
Impactos Positivos em Maricá
Em Maricá, os royalties do petróleo foram direcionados para iniciativas que transformaram a qualidade de vida dos cidadãos, ao invés de se tornarem obras sem propósito. Com esses recursos, o município criou a moeda social Mumbuca e implementou a tarifa zero para ônibus. Também garantiu acesso gratuito à universidade através do Passaporte Universitário e investiu no fortalecimento da segurança pública e na urbanização.
Visando o futuro, a cidade se preparou para o período pós-royalties. Criamos a Maricá Global Invest, que administra tecnicamente os ativos financeiros, e um Fundo Soberano, uma espécie de poupança pública para guardar e investir o dinheiro gerado pelo petróleo. A ideia é simples: utilizar os recursos do petróleo para construir uma economia resiliente que funcione mesmo após o término da exploração.
Resultados Concretos e Crescimento Sustentável
Os resultados dessas iniciativas já são visíveis. Segundo dados da ONU, Maricá registrou um crescimento de 20,9% no índice que mede a renda, a educação e a saúde das cidades (IDH-M) desde o ano 2000, atingindo um patamar considerado alto, com uma pontuação de 0,765, superior à média nacional. Isso reflete a melhoria nas condições de vida da população, que também é evidenciada pelo aumento populacional de 54,8%, conforme apontou o Censo de 2022, o maior do estado do Rio de Janeiro.
No entanto, a prosperidade de Maricá é relativa. A realidade é que o avanço isolado de uma cidade não resolve os problemas da região. Cidades vizinhas ainda enfrentam sérias dificuldades financeiras, principalmente aquelas que não possuem acesso a uma extensa faixa litorânea vinculada à exploração do petróleo.
Desafios da Prosperidade Isolada
Crescer de forma isolada pode gerar novos problemas. A falta de infraestrutura na vizinhança impacta diretamente a qualidade de vida dos cidadãos. Quando um hospital fecha em um município vizinho, por exemplo, os pacientes não desaparecem; eles buscam atendimento em Maricá, que possui melhores serviços. Além disso, a escassez de saneamento básico em áreas adjacentes resulta em sérios problemas ambientais, já que o esgoto não respeita limites municipais. A miséria acumulada nas redondezas também tem relação direta com o aumento da violência. Portanto, a prosperidade isolada não é sustentável.
Foi com essa perspectiva que decidimos tomar medidas efetivas. Em parceria com o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), firmamos um acordo histórico para o compartilhamento de royalties com São Gonçalo, Guapimirim e Magé, municípios vizinhos a Maricá. Essa iniciativa envolveu a renúncia de uma parte dos recursos, garantindo a continuidade dos projetos estruturantes e fortalecendo as cidades da região. A lógica é simples: ou a região cresce em conjunto, ou todos sofrerão as consequências.

