Compromisso com o Rio de Janeiro
No último encontro na sede estadual do MDB, Eduardo Paes, prefeito do Rio de Janeiro, enfatizou a importância da união entre grupos políticos com visões distintas. Durante sua fala, destacou: “O que fazemos aqui hoje é juntar um grupo de pessoas que não pensa tudo igual. Política é a arte de juntar a diversidade em torno de objetivos comuns”. Ele reafirmou que a prioridade é o Rio de Janeiro, delineando a proposta de trabalho para os próximos meses.
A liderança do MDB no estado é atribuída ao ex-prefeito de Duque de Caxias, Washington Reis, que tem um histórico de alinhamento com Jair Bolsonaro (PL) e enfrenta desafios legais, incluindo uma condenação por crime ambiental que o torna inelegível. Recentemente, Reis tinha o apoio do senador Flávio Bolsonaro para se posicionar como candidato no Rio, mas questões jurídicas complicaram essa possibilidade.
Paes, em um gesto de aliança, comunicou ao presidente Lula sobre sua parceria com Reis, enfatizando o respeito que o presidente tem por ele. “O presidente Lula apoiou integralmente essa aliança”, declarou Paes, referindo-se ao trabalho conjunto para fortalecer a política local.
O encontro em Xerém, distrito de Caxias, foi fundamental para consolidar essa união, que é vista como relevante por dois aspectos: a representatividade regional, já que Rio e Caxias são os maiores colégios eleitorais do estado, e a influência religiosa, devido à forte ligação da família Reis com as igrejas evangélicas.
Washington Reis, satisfeito com a escolha de Jane Reis como vice, expressou que sua ambição não é apenas ser governador, mas sim realizar o “maior governo da história”. Jane, advogada com atuação em projetos sociais, se comprometeu a liderar com garra, afirmando em seu discurso: “Deus está no comando e, como evangélica, coloco Deus sempre em primeiro lugar”.
Figuras importantes marcam presença
O evento que anunciou o apoio ao prefeito Paes contou com a presença de destacadas figuras do MDB, incluindo o presidente Baleia Rossi e o ministro das Cidades, Jader Filho. Representantes de outros partidos, como o PT, também estavam presentes, assim como o futuro vice-prefeito Eduardo Cavaliere (PSD) e personalidades de peso como Gilberto Kassab e Michel Temer, que enviaram mensagens de apoio.
Críticas ao governo atual
Durante seu pronunciamento, Eduardo Paes não hesitou em criticar o governo do estado, liderado por Cláudio Castro (PL). Ele alertou sobre a confusão entre política e interesses pessoais: “No Rio, as pessoas começaram a confundir política com associação para outros fins”. Segundo Paes, existem forças unidas que visam manter o controle na política fluminense, mas sem um compromisso real com as necessidades da população.
Washington Reis, que já atuou como secretário de Transportes no governo Castro, foi demitido sob circunstâncias controversas, o que não impediu sua candidatura a governador, mesmo diante de um cenário adverso. O ex-secretário se mantinha firme em sua intenção, apesar das dificuldades surgidas em sua trajetória política.
O prefeito Paes também abordou a questão da segurança pública de forma incisiva, lembrando a população das promessas de campanhas anteriores: “Ninguém vai ficar de bravata nas eleições. Todos lembram do bravateiro de 2018, mas quero deixar claro que, a partir de janeiro de 2027, a cumplicidade do estado com a criminalidade vai acabar”.
Fortalecendo a coalizão política
Com a adesão do MDB, Paes fortalece sua posição como pré-candidato ao governo, o primeiro partido de médio porte a se unir à sua coalizão, que até então contava com legendas mais à esquerda, como PT, PSB e PDT. O caminho para atrair o PP, partido com menor presença no cenário atual, se mostrou desafiador, diante da liderança do União Brasil na formação da nova federação.
O evento também serviu para que o vice-presidente do PT e prefeito de Maricá, Washington Quaquá, incentivasse outras siglas a se juntarem à aliança em prol de Paes, destacando a importância da união na busca por um futuro melhor para o estado do Rio de Janeiro.

