Aumento Alarmante nos Afastamentos por Saúde Mental
Nos últimos anos, o Brasil tem enfrentado um aumento preocupante nos afastamentos do trabalho devido a transtornos mentais, com mais de 2 mil profissões afetadas. Entre as ocupações mais impactadas estão os vendedores do comércio varejista, faxineiros e auxiliares de escritório. Esses profissionais, que frequentemente lidam com o público e desempenham funções essenciais, têm se mostrado vulneráveis a questões de saúde mental.
Dados do Ministério da Previdência Social revelam que, somente em 2025, mais de 500 mil pessoas se afastaram do trabalho por questões relacionadas à saúde mental, marcando um recorde histórico pelo segundo ano consecutivo. Esse aumento acentuado vem na esteira de um panorama já alarmante, que atingiu a maior taxa de afastamentos da década em 2024.
O Que Está Por Trás desse Cenário?
Um estudo realizado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) e o Ministério Público do Trabalho (MPT), com base em registros do INSS, analisou as razões por trás dessa crescente preocupação. As ocupações que lideram a lista são, de maneira geral, aquelas que apresentam características comuns, como contratos de trabalho precários, pressão por resultados e longas jornadas. Profissões de alto contato com o público, como motoristas e vigilantes, também são mais suscetíveis a riscos, incluindo a violência urbana.
Os especialistas entrevistados pelo g1 destacam que a fragilidade das relações de trabalho, aliada à sobrecarga e à falta de autonomia, contribuem para o aumento dos afastamentos por saúde mental. Segundo Raymundo Lima Ribeiro Júnior, procurador do MPT, essa combinação de fatores ajuda a explicar por que essas categorias são tão impactadas.
Aspectos Financeiros e Sociais dos Afastamentos
O estudo da OIT e do MPT, realizado por meio da plataforma SmartLab, revela que, além do impacto psicológico, os afastamentos por saúde mental também geram um custo significativo para a economia. Estima-se que essas licenças custaram quase R$ 4 bilhões em 2025, considerando que cada trabalhador afastado recebeu, em média, R$ 2.500 durante o período de licença.
A maioria dos afastamentos ocorreu entre mulheres, que representaram cerca de 63% dos casos. Isso reflete uma disparidade salarial, uma vez que as mulheres recebem, em média, R$ 2.482,91, enquanto os homens ganham R$ 2.515,58, conforme dados do INSS.
As Doenças que Mais Geram Afastamentos
Os diagnósticos mais comuns entre os trabalhadores que se afastaram incluem transtornos de ansiedade e episódios depressivos. Em 2025, cerca de 166.489 licenças foram concedidas devido a transtornos ansiosos, seguidas por 126.608 licenças por depressão. O impacto dessas condições na força de trabalho é alarmante, uma vez que, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), milhões de dias úteis são perdidos anualmente por conta dessas condições, resultando em perdas significativas para a economia global.
Regulamentação e Necessidade de Mudanças
Com a crescente evidência dos afastamentos por saúde mental, o governo brasileiro havia planejado mudanças na Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) para incluir riscos psicossociais. Entretanto, após pressão de organizações e sindicatos, o governo adiou a implementação dessas medidas. Raymundo Lima Ribeiro Júnior e Odete Cristina Pereira Reis, auditora fiscal do trabalho, enfatizam que a falta de regulamentação eficaz e a pressão por resultados exacerbam a situação, tornando essencial a necessidade de uma mudança estrutural no ambiente de trabalho.
Enquanto isso, o cenário de saúde mental no Brasil continua a ser uma questão urgente que precisa de atenção. A combinação de contratos precarizados, pressão constante e a ausência de suporte adequado não apenas prejudica a saúde mental dos trabalhadores, mas também gera um impacto econômico significativo. Profissionais e especialistas do setor pedem por medidas imediatas para lidar com essa questão alarmante.

