Os Repasses e o Impacto nas Escolas de Samba
No ano de 2026, as escolas de samba do Rio de Janeiro receberam pelo menos R$ 123,6 milhões em repasses públicos, que englobam verbas provenientes de fontes federais, estaduais e municipais. Desse montante, R$ 77,8 milhões foram destinados ao respeitável Grupo Especial, que conta com 12 agremiações, incluindo a Acadêmicos de Niterói, a qual apresentou um enredo em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva no último dia 15 de fevereiro.
A União, por meio da Embratur, alocou R$ 12 milhões ao Grupo Especial. No âmbito estadual, o governo do Rio destinou R$ 60 milhões, com R$ 40 milhões voltados para o Grupo Especial e para a operação do desfile na Sapucaí; R$ 16 milhões foram direcionados à Série Ouro, enquanto R$ 4 milhões foram para as Séries Prata e Bronze. A Prefeitura do Rio, por sua vez, transferiu R$ 51,6 milhões, distribuindo R$ 25,8 milhões ao Grupo Especial, R$ 14,8 milhões à Série Ouro e R$ 11 milhões para as Séries Prata e Bronze.
Distribuição dos Recursos entre as Escolas
De acordo com informações da Riotur, cada uma das 12 escolas que fazem parte do Grupo Especial recebeu R$ 2,15 milhões da prefeitura. A Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa) é responsável por organizar os desfiles deste grupo de elite do Carnaval. Já a Série Ouro, que inclui 15 escolas, está sob a coordenação da Liga RJ, com cada agremiação dessa categoria recebendo R$ 988 mil do município.
Em 2025, os repasses do governo estadual e da prefeitura para as escolas de samba totalizaram cerca de R$ 107,66 milhões. Com base no histórico das edições anteriores do Carnaval carioca, a Acadêmicos de Niterói aparece como uma forte candidata ao rebaixamento do Grupo Especial, especialmente considerando que foi essa a escola que prestou tributo ao presidente Lula durante o desfile.
A Realidade do Grupo Especial e as Expectativas para o Futuro
O Grupo Especial é conhecido como a elite do desfile na Sapucaí. Uma análise das últimas duas décadas revela que quase todas as escolas que abriram o evento foram rebaixadas, de acordo com os registros da Liesa. As únicas exceções a essa regra foram nos anos de 2010, 2011 e 2022, quando a União da Ilha, a São Clemente e a Imperatriz tiveram a honra de abrir o desfile.
Por sua vez, a Acadêmicos de Niterói não é considerada uma das escolas mais tradicionais do cenário do samba, tendo sido fundada em 2018 e estreado no Grupo Especial apenas no desfile de 2026. Com origem ligada a figuras da cúpula do jogo do bicho no Rio de Janeiro, a Liesa tem a responsabilidade de organizar e julgar os desfiles. Segundo informações da revista Veja, a escola que fez a homenagem ao presidente não figura entre as mais influentes da liga, o que levanta preocupações sobre seu desempenho em futuras competições, especialmente entre seus aliados.

