Mudanças Controvertidas nas Nomenclaturas Policiais
O governador do Ceará, Elmano de Freitas, do Partido dos Trabalhadores (PT), anunciou a edição de um decreto que altera a forma como as vítimas de operações policiais são referidas no estado. Com as novas diretrizes, um policial, anteriormente identificado como ‘autor’, passa a ser chamado de ‘interventor’, enquanto a vítima será rotulada de ‘opositor(a)’.
Para Elmano, essa reclassificação busca inverter a lógica nas investigações relacionadas às intervenções policiais. ‘Defendo sempre a lei, mas não aceito que os policiais, que arriscam suas vidas para proteger o cidadão, sejam tratados da mesma forma que bandidos, assim como não concordo que bandidos sejam vistos como vítimas em situações que demonstram uma intervenção policial legítima no combate ao crime’, declarou o governador em suas redes sociais ao anunciar as mudanças.
A mudança nas nomenclaturas gerou reações misturadas entre diferentes setores da sociedade. Lideranças políticas do Ceará interpretam o decreto como uma estratégia de Elmano para se aproximar de um eleitorado mais conservador, especialmente visando sua reeleição. Nas eleições de outubro, ele terá como adversário o ex-ministro Ciro Gomes, do PSDB, que conta com o apoio de forças bolsonaristas e de partidos de centro-direita.
O Ceará, reconhecido como o oitavo estado brasileiro em termos populacionais e o quarto com as maiores taxas de homicídios em 2025, enfrenta um complexo desafio em segurança pública. O estado está no epicentro de um conflito entre duas das maiores facções criminosas do Brasil. O Comando Vermelho, originário do Rio de Janeiro, tem expandido sua influência sobre áreas que eram controladas pelos Guardiões do Estado, facção local. Para enfrentar essa ameaça externa, os Guardiões do Estado uniram forças com o Terceiro Comando Puro, outra organização que atua no Rio.
Reações à decisão do governador não demoraram a surgir. Mais de cem entidades da sociedade civil se uniram para divulgar um manifesto, no qual denunciam a alteração como uma ‘grave afronta ao direito à vida, à presunção de inocência e ao devido processo legal’. O deputado estadual Renato Roseno, do PSOL, que atualmente preside o comitê de segurança da Assembleia Legislativa, também criticou a medida, considerando-a um ‘grave retrocesso’. Ele anunciou que tomará medidas legais para contestar o decreto.

