Eleições Indiretas em Foco
Com a iminência de renúncias de governadores e vice-governadores, as Assembleias Legislativas do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Norte estão se organizando para a escolha de chapas que ocuparão temporariamente os cargos até o término dos mandatos em janeiro de 2024. A situação se agrava com um impasse jurídico em relação às regras a serem seguidas durante esse processo eleitoral.
Quando as renúncias se confirmam, ocorre o que a legislação eleitoral classifica como dupla vacância. Essa situação se dá quando tanto o cargo do governador quanto o do vice ficam vagos, resultando na convocação de uma nova eleição para o Executivo. Como estamos na metade final do mandato, a escolha dos novos governantes será feita de forma indireta, ou seja, não envolverá o voto do público.
Embora os mandatos sejam considerados ‘tampões’, sua importância é inegável. Os governadores interinos estarão à frente da administração nesses estados durante um período eleitoral crucial. Desde a redemocratização do Brasil, apenas três estados passaram por eleições indiretas para a escolha de governadores: Bahia em 1994, Tocantins em 2009 e Alagoas em 2022.
No contexto do Rio Grande do Norte, a governadora Fátima Bezerra está apostando no nome de Cadu Xavier, atual secretário de Fazenda, do PT, como seu sucessor. Fátima o caracteriza como o candidato de ‘consenso’ dentro do partido, tanto para a eleição indireta quanto para as futuras eleições de outubro. No entanto, a aceitação do secretário entre os parlamentares estaduais é um fator que gerará dúvidas.
Por outro lado, a oposição já projeta a candidatura do empresário Roberto Serquiz, que atualmente preside a Federação das Indústrias do Estado (Fiern).
Expectativas no Rio de Janeiro
Em relação ao Rio de Janeiro, a perspectiva de eleições indiretas era esperada desde o ano passado, especialmente após as movimentações que levaram o vice-governador Cláudio Castro, Thiago Pampolha, ao Tribunal de Contas do Estado (TCE). Essa estratégia foi impulsionada pelo então presidente da Assembleia Legislativa, Rodrigo Bacellar, do União Brasil. Com a saída do vice-governador, o presidente da Alerj assumiria a linha sucessória, consolidando sua posição para uma possível candidatura nas eleições diretas.
Entretanto, o cenário mudou drasticamente com a prisão de Bacellar em dezembro de 2022 durante a Operação Unha e Carne, realizada pela Polícia Federal, o que resultou na sua saída da presidência da Assembleia.
Após a saída de Bacellar, dois secretários de Cláudio Castro se tornaram nomes cotados para assumir o cargo temporariamente. Nicola Miccione, responsável pela Casa Civil, e Douglas Ruas, que comanda a pasta de Cidades, estão entre os favoritos. Há também menções ao nome do prefeito de Itaboraí, Marcelo Delaroli, que aparece como uma opção menos convencional.

