Witzel Lança Pré-Candidatura ao Governo do Rio
O ex-governador Wilson Witzel, que atualmente não está vinculado a nenhum partido, revelou nesta segunda-feira, dia 10, sua intenção de se candidatar novamente ao governo do Rio de Janeiro. Witzel, que conquistou o cargo em 2018 em meio ao crescimento da onda bolsonarista, enfrentou um impeachment por corrupção em 2021, quando já estava afastado. Após sua saída, Claudio Castro, que era seu vice, assumiu a governança e foi eleito para o cargo no ano seguinte. A expectativa é que Witzel formalize sua filiação a um partido até abril deste ano, enquanto o atual cenário aponta uma competição acirrada com o prefeito Eduardo Paes, que já disputou o Palácio Guanabara em duas ocasiões anteriores.
“Considero que paguei politicamente por tudo o que ocorreu. Sem dúvida, houve um custo político muito alto, que eu arquei antes do término desse processo”, afirmou Witzel em um vídeo postado em seu Instagram, refletindo sobre sua trajetória e os desafios enfrentados até aqui.
Enfrentando Acusações e Acreditando na Justiça
Witzel, em seu pronunciamento, destacou que ainda há questões que precisam ser totalmente esclarecidas: “Eu confio que o tempo e as instituições competentes desempenharão esse papel. Contudo, aprendi que, na política, muitas vezes as percepções se sobrepõem aos fatos e às narrativas. Acredito na Justiça e no potencial do estado do Rio de Janeiro, além de acreditar nas pessoas. Por isso, não vou desistir”, enfatizou.
Durante seu afastamento, as acusações contra ele alegavam a existência de um esquema de propinas vinculado a Organizações Sociais (OSs) no setor da Saúde, do qual ele seria um dos principais beneficiários. Segundo as investigações, o total de valores arrecadados de maneira irregular seria de aproximadamente R$ 55 milhões. Embora Witzel tenha negado qualquer envolvimento em irregularidades, ele se tornou inelegível por um período de cinco anos, com término previsto para 2026.
Implicações Legais e Desafios Futuros
A Procuradoria-Geral da República (PGR) designou Witzel como “líder da organização criminosa”, em razão de sua suposta participação em um esquema de corrupção que envolvia a contratação de hospitais de campanha e aquisição de respiradores e medicamentos durante a pandemia de Covid-19. Em uma entrevista exclusiva ao VEJA naquele ano, ele chegou a acusar o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), André Ceciliano (PT), de ser o verdadeiro “chefe da quadrilha”.
“Estou me preparando para retomar a minha trajetória política. Muitas pessoas questionam por que a população do Rio de Janeiro deveria me dar uma nova chance. Minha resposta é que vivi na prática os limites e as distorções do sistema político e administrativo deste estado. Fui vítima do maior linchamento público da história do nosso estado. Meu afastamento ocorreu antes de qualquer condenação final e sem direito à defesa. Enfrentei um processo severo, mas mantive minha defesa dentro dos parâmetros legais, sempre acreditando na Justiça”, disse Witzel, que se apresenta como um político mais maduro e com uma compreensão aprimorada do funcionamento do poder e da administração pública.
A Nova Abordagem de Witzel na Política
Outro questionamento frequente que Witzel recebe é sobre as mudanças que ocorreram desde seu mandato em 2019. “Naquela época, cheguei com a energia de quem queria efetuar mudanças rápidas. Hoje, trago a serenidade de quem entende que transformações duradouras requerem diálogo institucional, planejamento e proteção técnica nas decisões. Menos improviso e mais método; menos retórica e mais gestão. E reconheço que paguei um preço político alto por tudo isso”, concluiu.
De acordo com Witzel, a pendência de temas não resolvidos permanece. “Ainda existem questões que precisam ser definitivamente resolvidas. Confio que o tempo e as instâncias competentes irão garantir que esses temas sejam esclarecidos. Entretanto, também aprendi que percepções e narrativas muitas vezes se sobrepõem aos fatos na política. Eu acredito na Justiça, no potencial do Rio de Janeiro e, acima de tudo, nas pessoas. E é por isso que eu não vou desistir.”

