Retorno ao Palácio Guanabara
BRASÍLIA – O ex-governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, atualmente sem partido, manifestou seu desejo de se candidatar novamente ao governo do Estado nas eleições de 2026. Witzel, que foi aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro durante sua eleição, conquistou o cargo em 2018, mas foi afastado em 2021, após a cassação de seu mandato devido a acusações de corrupção na gestão da Saúde durante a pandemia de Covid-19.
Em um vídeo veiculado nesta segunda-feira, ele se posicionou sobre as circunstâncias de sua saída: “Eu fui alvo de um linchamento público. Fui afastado antes de qualquer condenação definitiva, sem ter direito à defesa”, destacou Witzel. Em um julgamento que culminou com a decisão unânime de dez votos a zero, ele perdeu seu cargo após o impeachment, que foi ratificado em abril de 2021. Naquele momento, o atual governador Cláudio Castro ocupava a função de maneira interina e, com a destituição de Witzel, foi efetivado na posição que mantém até hoje.
Uma Nova Perspectiva
O ex-governador expressou que seu retorno à vida política será baseado em uma nova abordagem, considerando-se “mais experiente e cauteloso”. Witzel ressaltou que, ao assumir o governo, tinha uma visão de mudanças rápidas, mas agora entende que “transformações duradouras exigem diálogo institucional, planejamento e blindagem técnica das decisões”.
Ele também revelou que sua filiação a um partido de centro-direita será anunciada até o dia 4 de abril. Em 2018, Witzel era membro do extinto Partido Social Cristão (PSC), que, vale lembrar, também foi responsável pela eleição de Jair Bolsonaro à presidência e atualmente foi incorporado pelo Podemos em 2023.
Cenário Eleitoral em Perspectiva
Com um histórico eleitoral marcante, Witzel venceu em 2018 com quase 60% dos votos válidos, derrotando o então prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), que também deve ser candidato ao governo estadual neste ano. Witzel, ao avaliar o atual cenário, considera a situação indefinida, mas aponta que Paes pode ser o candidato representativo da esquerda, devido à sua aliança com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). “Do lado da direita, ainda não há definição sobre quem será o candidato. Contudo, posso afirmar que serei candidato por um partido de centro-direita”, afirmou.
Propostas para o Futuro
Caso consiga ser eleito, Witzel planeja priorizar temas fundamentais como segurança pública, defesa da família e princípios cristãos. Além disso, ele pretende implementar uma política econômica que considera “desenvolvimentista”. Uma de suas propostas envolve a criação do Banco de Desenvolvimento do Estado, chamado de Banderj, que seria financiado com recursos que, segundo ele, não estão sendo otimizados no orçamento atual. A proposta inclui também a fusão de diversas agências, como a Companhia de Desenvolvimento Industrial do Estado do Rio de Janeiro (Codin-RJ), a Agência Estadual de Fomento (AgeRio) e a Companhia Estadual de Habitação do Rio de Janeiro (CEHAB-RJ), com o objetivo de utilizar esse novo banco para promover projetos habitacionais, especialmente em áreas de risco nas comunidades.
É importante mencionar que, ao ser cassado em 30 de abril de 2021, o Tribunal Especial Misto também decidiu tornar Witzel inelegível por um período de cinco anos. No entanto, como esse prazo se encerrará antes do fim do período de registro de candidaturas, que vai até 15 de agosto, ele poderá se candidatar novamente neste ano.

