Uma Celebração da Cultura Latina
A apresentação de Bad Bunny no Super Bowl LX foi marcante, destacando a cultura latina de forma vibrante e poderosa. A performance não apenas exaltou suas raízes porto-riquenhas, mas também refletiu a diversidade étnica presente nos Estados Unidos. Com o clima político atual, que é desafiador para os imigrantes, a mensagem de união proposta pelo artista ressoou fortemente ao mencionar, um a um, todos os países das Américas.
Nos primeiros momentos do show, ficou claro que o Super Bowl teria um intervalo diferente dos anteriores. Os espectadores foram convidados a participar do que foi chamado de “Super Tazón”, destacando a inclusão do idioma espanhol até no nome do evento. O cenário, que homenageava a vida e as tradições de Porto Rico, trouxe elementos como campos de cana-de-açúcar, tradicionais jogos de dominó e barracas de “piragua”, criando uma atmosfera de festa e celebração comunitária.
Bad Bunny se apresentou sobre uma “casita”, que era uma representação de sua própria casa em Porto Rico, evocando um sentimento de lar e pertencimento dentro do contexto de um dos palcos mais assistidos do mundo. O uso de referências culturais foi uma escolha intencional, conectando o artista a suas raízes e transmitindo uma mensagem de orgulho cultural.
Música e Resistência
O repertório do show incluía algumas das canções mais emblemáticas da carreira de Bad Bunny, incluindo faixas que marcaram sua trajetória no reggaeton, como “Yo Perreo Sola” e “Tití Me Preguntó”. Um dos momentos mais impactantes foi a participação especial de Ricky Martin, que apresentou “Lo Que Le Pasó a Hawaii”, uma canção que aborda a marginalização cultural, fazendo alusão aos riscos enfrentados por Porto Rico sob ocupação externa. O cantor, ao empunhar uma bandeira, enfatizou a importância de preservar a identidade cultural, uma mensagem que reverberou entre os espectadores.
Durante a interpretação de “El Apagón”, Bad Bunny trouxe à tona a crise de energia enfrentada pela ilha após desastres naturais, usando imagens de postes eletrificados que simbolizavam resistência e reconstrução. Sua performance incluiu a provocativa linha: “agora todos querem ser latinos, mas falta tempero, batuque e reggaetón”, evidenciando a luta pela valorização da cultura latina no cenário americano.
Significado Político na Moda e na Música
Bad Bunny iniciou sua apresentação com um uniforme monocromático branco, onde seu sobrenome “Ocasio” e o número “64” estavam destacados. A escolha do número gerou inúmeras especulações, desde referências à sua mãe até a um marco histórico relacionado ao álbum “El Último Tour del Mundo”. A interpretação mais solene, no entanto, associou o número às mortes inicialmente reportadas após o furacão Maria em Porto Rico, uma alusão que trouxe uma carga emocional ao visual do artista no palco.
Após a apresentação, foi revelado que o número 64 homenageava um tio falecido do cantor, que usava esse mesmo número quando jogava futebol americano, inserindo uma camada de pessoalidade e afeto ao show. Essa conexão íntima com sua história familiar somou profundidade ao evento.
Uma Mensagem de União Continental
O clímax da apresentação ocorreu quando Bad Bunny segurou uma bola de futebol americano com a frase “Together, We Are America” (Juntos, somos América). Em meio a bandeiras que representavam os países das Américas, o cantor fez uma declaração ao enumerar nações, incluindo o Brasil, reforçando a mensagem de união e solidariedade entre os povos. Ao encerrar, ele exclamou “God Bless America”, ecoando um sentimento de esperança e inclusão.
O show também contou com participações de estrelas como Lady Gaga, que trouxe uma versão salsa de seu famoso hit, e Ricky Martin, criando uma verdadeira festa acompanhada por convidados ilustres como Cardi B e Karol G. Uma cerimônia de casamento ao vivo, realizada no palco, adicionou um toque especial à celebração, mostrando que a inclusão e a diversidade são vitais em eventos dessa magnitude.
Repercussão: Celebração e Controvérsia
A apresentação de Bad Bunny foi amplamente elogiada por sua representatividade e pela forma como abordou questões culturais importantes. Contudo, também gerou reações adversas, especialmente entre setores conservadores. O ex-presidente Donald Trump classificou o show como “absolutamente terrível”, criticando o uso do espanhol e alegando que isso seria uma afronta. A polarização já era evidente antes mesmo da performance, com muitos questionando a escolha de um artista que não se apresentava em inglês.
Antes de subir ao palco, Bad Bunny deixou uma mensagem clara: “as pessoas só precisam se preocupar em dançar. Elas nem precisam aprender espanhol. É melhor que aprendam a dançar. Não existe dança melhor do que aquela que vem do coração”. Essa afirmação sintetiza a essência de sua apresentação, um convite à celebração da diversidade cultural através da música e da dança.

