Witzel se Posta como Pré-Candidato ao Governo do Rio de Janeiro
Nesta segunda-feira, 9 de outubro, o ex-governador Wilson Witzel utilizou um vídeo para compartilhar seus planos de pré-candidatura ao governo do Estado do Rio de Janeiro. Na gravação, ele assegura que está pronto para retornar à vida pública, desta vez com uma abordagem mais consciente.
“Muitas pessoas me questionam sobre por que a população do Rio deveria me dar uma nova chance. Eu respondo que vivi na prática os limites e as distorções do sistema político e administrativo deste estado. Fui alvo do maior linchamento público da história do Rio, afastado antes de qualquer condenação definitiva e sem o direito de me defender. Enfrentei um processo rigoroso e mantive a minha defesa dentro da legalidade, confiando na Justiça”, declarou Witzel no vídeo.
“Estou voltando mais experiente, mais cauteloso, com uma compreensão mais profunda sobre como realmente funciona o poder e as complexidades do sistema político no Rio de Janeiro”, completou.
Retorno ao cenário político
Witzel foi afastado temporariamente do cargo durante seu segundo ano de mandato, em 2020, sob suspeitas de envolvimento em um esquema de desvio de recursos na saúde pública, em meio à pandemia da Covid-19. Em abril de 2021, ele teve seu mandato cassado, ficando impedido de ocupar cargos públicos e com os direitos políticos suspensos por cinco anos a partir da condenação.
Em entrevista ao Valor, o ex-governador afirmou que está novamente apto a participar do processo eleitoral deste ano. “Estou plenamente elegível. Em 2026, posso me candidatar a qualquer cargo público. Os efeitos do impeachment já foram superados. Portanto, não tenho impedimentos para ser candidato e participar das eleições. Não enfrento nenhum problema com ações de improbidade e estou totalmente apto a concorrer”, explicou.
Busca por um novo partido
Para se lançar às urnas em outubro, Witzel está em busca de uma nova sigla partidária. Na eleição que o levou ao Palácio Guanabara, ele estava filiado ao PSC. Agora, sua intenção é se aliar a um partido de centro-direita. A expectativa é que o ex-governador anuncie sua nova filiação no dia 4 de abril.
A vitória de Witzel em 2018 foi vista como uma surpresa. Ele, que era considerado um outsider da política, obteve desempenho abaixo nas pesquisas durante a campanha, mas conseguiu conquistar o primeiro lugar no primeiro turno com 41,28% dos votos, superando o então favorito, o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD, à época no DEM), que teve 19,56%. No segundo turno, Witzel venceu Paes com 59,87% contra 40,13% dos votos.
Cenário eleitoral e desafios
Para este ano, Eduardo Paes também é visto como favorito, se destacando nas pesquisas de intenção de votos. Witzel acredita que o cenário eleitoral ainda comporta mudanças e observa que Paes aparenta ter um “teto” em sua taxa de aprovação.
“O prefeito do Rio tem uma visibilidade maior devido às suas declarações sobre uma possível candidatura. Sua posição como prefeito lhe proporciona uma exposição significativa. No entanto, ele tem um teto de cerca de 40%”, afirmou Witzel.
“Atualmente, Paes se posiciona à esquerda e se alinha à base do presidente Lula. Acredito que será difícil para ele expandir seu eleitorado no Rio com essa agenda de esquerda. Os cidadãos fluminenses esperam uma postura diferenciada do governador, especialmente em relação ao enfrentamento da violência e ao combate ao crime organizado”, analisou.
A segurança pública será uma das principais bandeiras de Witzel durante sua campanha. Ele é lembrado por suas declarações polêmicas, como a defesa de atirar “na cabecinha” de criminosos armados com fuzis. Essa posição ainda está presente em sua retórica e ele continua a defender ações enérgicas contra a criminalidade.

