Cenário Político em Minas Gerais
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está em busca de palanques robustos para sua reeleição e mantém sua aposta na candidatura do senador Rodrigo Pacheco (PSD) para liderar Minas Gerais. Com a expectativa de deixar o PSD, Pacheco deve se filiar ao União Brasil nas próximas semanas, alinhando-se ao grupo político de Lula, mesmo que ainda não tenha decidido se irá concorrer ao governo. Nesse cenário de incerteza, petistas também analisam outras possibilidades de candidatos, que vão desde figuras bem avaliadas dentro do partido até nomes inesperados no cenário político mineiro.
No último dia 9, Lula reiterou seu apoio a Pacheco em uma entrevista ao UOL. Ao ser questionado sobre a formação da chapa, Lula enviou um claro recado ao senador. “Se eu conheço a alma mineira, nós vamos ganhar as eleições outra vez. E eu quero dizer aqui em alto e bom som, eu ainda não desisti de você, Pacheco. Você sabe que nós vamos ter uma conversa e acho que você pode ser o futuro governador de Minas”, afirmou o presidente.
A Mudança no PSD e o Papel do União Brasil
Pacheco está se preparando para deixar o PSD e ingressar no União Brasil após o carnaval, seguindo uma articulação do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União). O objetivo é fortalecer a bancada do União Brasil no Congresso, ou quem sabe, eleger-se governador. Além disso, a liderança do diretório em Minas deve ser transferida para o deputado Rodrigo de Castro (União), um aliado próximo de Pacheco.
Essa movimentação vem após o reconhecimento de que a permanência de Pacheco no PSD se tornou “insustentável”, especialmente após a filiação do vice-governador Mateus Simões (PSD), que é pré-candidato à presidência e oposição a Lula. Nos bastidores do União Brasil, a expectativa é que Pacheco continue alinhado ao projeto político do presidente e tenha tempo para decidir sua estratégia para as eleições deste ano.
Alternativas e Planos B do PT
Com a situação de Pacheco ainda indefinida, setores do PT começam a defender um plano B, que contempla a candidatura do ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PDT). Essa possibilidade foi confirmada pelo presidente do PDT, Carlos Lupi, que mencionou um encontro com Edinho Silva, dirigente do PT, no qual reafirmaram a aliança para reeleger Lula. “Recebi a confirmação do compromisso petista de apoiar as candidaturas ao governo de Juliana Brizola no RS; de Alexandre Kalil em MG, e de Requião Filho no PR”, postou Lupi nas redes sociais. Ele ainda acrescentou que, com a formalização interna do PT, as discussões para vencer em estados estratégicos avançariam nos próximos dias.
Entretanto, o diretório do PT emitiu um comunicado posteriormente, esclarecendo que o encontro entre dirigentes partidários visava um “diálogo de alto nível sobre a reeleição do presidente Lula”, sem que houvesse a intenção de definir os palanques eleitorais estaduais. “As definições sobre as candidaturas seguem em debate e serão construídas em acordo com os diretórios estaduais”, concluiu a nota, o que gerou descontentamento de Kalil, que manifestou sua insatisfação em uma postagem no X, alegando que “eleição é um saco” e que “no meu palanque só sobe quem eu quiser”.
Nomes em Potencial para a Candidatura
Além de Kalil, outras figuras estão sendo cogitadas, como as prefeitas de Contagem, Marília Campos (PT), que demonstrou interesse em concorrer ao Senado se for a única candidata de Lula na disputa, e Margarida Salomão (PT), que já declarou que pretende concluir seu mandato como prefeita de Juiz de Fora.
Por outro lado, surgem também os nomes de Josué Gomes da Silva, ex-presidente da Federação da Indústria do Estado de São Paulo (Fiesp) e filho do ex-vice-presidente José Alencar, e Sandra Goulart, reitora da Universidade Federal de Minas Gerais. O Partido Verde, que compõe a federação com o PT, ainda avalia a candidatura do ex-prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda.
“Acredito que saímos de uma situação onde havia poucas opções para uma realidade onde começam a surgir boas alternativas. Independentemente de quem for escolhido, estaremos bem representados”, comentou o deputado estadual e ex-presidente do diretório petista em Minas Gerais, Cristiano Silveira.

