Mobilização em Defesa da Atenção Primária à Saúde
Médicos, enfermeiros e outros profissionais da Atenção Primária à Saúde do Rio de Janeiro iniciaram na manhã desta segunda-feira, 2 de fevereiro, uma paralisação. O ato ocorreu em frente ao Super Centro Carioca de Especialidades, localizado em Benfica, na Zona Norte da cidade. A mobilização juntou trabalhadores de diversas Clínicas da Família de diferentes regiões, marcando o começo de uma greve que visa reivindicar melhorias nas condições de trabalho e atendimento nas unidades de saúde do município.
As principais reivindicações do movimento incluem o cumprimento de compromissos estabelecidos pela Prefeitura do Rio, durante a gestão do prefeito Eduardo Paes e do secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz. Além disso, os profissionais pedem a implementação de medidas mais efetivas para lidar com a crise na Atenção Primária, que é considerada a porta de entrada do Sistema Único de Saúde (SUS). De acordo com os manifestantes, a atual situação está impactando negativamente tanto as condições de trabalho dos profissionais quanto a qualidade do atendimento prestado à população.
O protesto conseguiu reunir um número significativo de trabalhadores, provocando a interrupção do fluxo em meia pista na Rua General Gustavo Cordeiro de Farias. Os organizadores destacaram a preocupação com episódios de assédio e ameaças direcionados aos profissionais, que se intensificaram desde o anuncio da paralisação, realizado em 22 de janeiro. Esses fatores têm desestimulado uma adesão ainda maior ao movimento sindical.
Nesta segunda-feira, também teve início a paralisação dos enfermeiros, com duração de dois dias, enquanto os médicos iniciaram uma greve de nove dias. Durante este período, 50% do efetivo médico estará em atividade até o dia 11 de fevereiro. Os organizadores reafirmaram que a greve não está relacionada ao carnaval, como alegado pela Secretaria Municipal de Saúde em nota à imprensa.
Ao longo do dia, muitos profissionais relataram uma queda no movimento das unidades de saúde em comparação à rotina habitual, além de receberem manifestações de apoio e compreensão por parte da população em relação às suas reivindicações. Os sindicatos informaram que novas denúncias sobre assédios e retaliações foram registradas e que esses casos serão abordados no processo de dissídio coletivo em andamento.
Audiência no TRT Discute a Greve dos Trabalhadores da Saúde
Na mesma manhã, ocorreu uma audiência no Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (TRT-1) para tratar das demandas dos médicos e enfermeiros da saúde pública do Rio de Janeiro. O encontro contou com a presença de representantes dos sindicatos, de organizações sociais (OS’s) que administram unidades de saúde, da Prefeitura do Rio e do Ministério Público do Trabalho.
Durante a audiência, os representantes dos sindicatos informaram que os médicos não recebem reajuste salarial desde 2019, enquanto os enfermeiros estão sem recomposição há aproximadamente nove anos. Além disso, mencionaram as dificuldades para negociar com o Município e as OS’s, assim como problemas relacionados ao pagamento da gratificação chamada “Variável 3”, prevista em contrato. Os sindicatos também relataram casos de demissões de trabalhadores que participam do movimento grevista.
A Prefeitura do Rio, por sua vez, declarou que não pode firmar acordos coletivos e atribuiu a responsabilidade das negociações às OS’s. Já as organizações sociais afirmaram estar abertas ao diálogo, mas indicaram que dependem de repasses financeiros e das limitações contratuais impostas pelo Município. A Prefeitura reiterou que a situação orçamentária dificulta a concessão de reajustes e informou que a gratificação Variável 3 deverá ser paga apenas no primeiro semestre de 2026.
O impasse sobre as demissões não pôde ser discutido na audiência, uma vez que algumas das OS’s não estavam presentes. A Presidência do TRT lembrou que a greve é um direito garantido pela Constituição, inclusive em serviços essenciais, e que os trabalhadores não podem ser punidos por exercê-lo. Acolhendo uma proposta do Ministério Público do Trabalho, foi agendada uma reunião entre todas as partes para discutir o pagamento da gratificação e buscar soluções para reduzir os conflitos.
A reunião está marcada para o dia 10 de fevereiro de 2026, às 13h, na Prefeitura do Rio de Janeiro, e contará com a participação das organizações sociais que não compareceram à audiência. Até a data do encontro, ficou decidido que não haverá demissões nem descontos dos dias parados pelos profissionais em greve.

