Kremlin comemora possível retorno da Rússia ao futebol internacional
Na última terça-feira, o Kremlin manifestou apoio às declarações do presidente da FIFA, Gianni Infantino, que expressou o desejo de encerrar a suspensão de quatro anos da Rússia em competições internacionais de futebol. Infantino acredita que essa proibição “não alcançou nada” e apenas exacerbou tensões.
Desde o início da guerra na Ucrânia, em fevereiro de 2022, clubes russos e a seleção nacional estão afastados das competições organizadas pela FIFA e pela UEFA. Dmitry Peskov, porta-voz do Kremlin, comentou sobre as declarações de Infantino, considerando-as “muito boas” e ressaltando que foi um erro politizar o esporte. Para Peskov, a seleção russa deve ter seus direitos de competição plenamente restaurados.
Declarações de Gianni Infantino sobre a suspensão
Gianni Infantino, em suas declarações, enfatizou que a revogação da suspensão de quatro anos à Rússia é desejável, pois a medida atual “não trouxe resultados positivos”. Ele afirmou que a proibição só gerou mais frustração e aversão entre os torcedores e que a oportunidade de permitir que jovens jogadores, tanto meninos quanto meninas, representem seu país em competições internacionais seria uma grande contribuição ao esporte.
“O futebol deve ser um espaço de união, não de divisão”, disse Infantino à Sky Sports. Ele defendeu que a FIFA “nunca deveria proibir um país de participar do futebol devido às ações de seus líderes políticos”. O executivo de 55 anos ainda destacou a importância de manter os laços entre as nações através do esporte.
Reações da Ucrânia e da UEFA à proposta de Infantino
O ministro dos Esportes da Ucrânia, Matvii Bidnyi, criticou as palavras de Infantino, classificando-as como “irresponsáveis” e “infantis”. Bidnyi ressaltou que tais comentários ignoram a realidade brutal em que crianças ucranianas estão perdendo suas vidas devido à guerra, enfatizando que o futebol não pode ser dissociado dessa situação.
A UEFA, por meio de seu presidente, Aleksander Ceferin, reforçou que a reintegração da Rússia ao futebol internacional só ocorrerá após o término do conflito na Ucrânia. Ceferin já havia abordado essa temática durante uma coletiva de imprensa no Congresso da UEFA, realizado em abril do ano passado, destacando que a paz deve vir antes da normalização das competições.
Infantino e a busca pela paz através do futebol
Além das declarações sobre a suspensão, Infantino comentou sobre a recente decisão da FIFA de conceder um prêmio da paz ao ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no sorteio da Copa do Mundo de 2026. Para Infantino, qualquer esforço que possa contribuir para a paz mundial deve ser considerado, e é por isso que a FIFA está avaliando como reconhecer ações que promovam esse objetivo.
Com o cenário atual, a discussão sobre a reintegração da Rússia em competições internacionais está longe de ser resolvida, com diferentes opiniões que refletem a complexidade da situação política. O que permanece claro é que o diálogo deve continuar, e o esporte pode servir como uma ponte para o entendimento, mesmo em tempos conturbados.

