Emoções à Flor da Pele
A noite de sábado, 24 de janeiro, ficará gravada na memória dos fãs de Ana Carolina, que se reuniu no Vivo Rio para celebrar seus 25 anos de carreira. Embora os anos já somem 27 desde que a artista mineira conquistou a música brasileira em 1999, o que realmente importa é a paixão ardente de seu público. Sentado na primeira fila, pude sentir essa energia contagiante ao longo de toda a apresentação.
Ao contrário da pressão de anotar cada detalhe para uma crítica meticulosa, já havia escrito sobre a estreia da turnê “25 Anas” em julho de 2025. Portanto, pude me entregar à noite repleta de lágrimas, hits e emoções intensas.
O momento mais tocante da noite foi a emocionante ovação após a interpretação da canção “Quem de nós dois” (2001). Ao ouvir os aplausos, Ana Carolina não conseguiu conter as lágrimas. O que poderia ter sido apenas um agradecimento a mais um sucesso, tornou-se um símbolo do seu trajeto. Essa canção, que praticamente selou sua carreira nos grandes palcos da música, reverberou no coração do público presente.
A ausência de validação por parte de alguns críticos não diminui a relevância que Ana Carolina tem entre seus fãs. Em um ambiente onde muitos artistas lutam por reconhecimento, o carinho genuíno do público é inquestionável. Em cada canto do Vivo Rio, gritos de admiração ecoavam: “Gostosa!!”, demonstrando a conexão especial que a cantora mantém com sua plateia.
Momentos de Reflexão e Nostalgia
Durante a apresentação, ao som de “Nua” (2003), percebi que “Estampado” (2003) é, de fato, meu álbum predileto da artista. Embora nunca tenha deixado de reconhecer a força do primeiro trabalho, intitulado “Ana Carolina”, lançado em 1999 e que apresentou o icônico “Garganta”, há algo de puro e irresistível nessa fase inicial que ainda reverbera. A longa trajetória de Ana na indústria musical, com seus altos e baixos, reflete a dura realidade de muitos artistas em busca de se manter relevantes.
Além dos clássicos, não posso deixar de mencionar a generosidade de Ana ao oferecer canções como “Sinais de fogo” (2003) para Preta Gil e “Cabide” (2005) para Mart’nália. Ambas são composições excepcionais que demonstram a riqueza do seu legado musical ao longo dos anos. Essa característica de compartilhar seu talento é rara entre os intérpretes do cenário musical.
Em meio a tudo isso, “Mãe” (2025) se destacou como uma das mais belas faixas do álbum mais recente, “Ainda já”. É curioso notar que, apesar de já termos um EP lançado em julho do ano passado, o público ainda aguarda ansiosamente por mais novidades. O que teria acontecido com a segunda parte desse projeto?
O Repertório e a Conexão com o Público
Durante o show, canções como “Lésbica monossilábica” e “Canção de trás pra frente” foram mantidas no repertório, enquanto outras músicas inéditas que estavam na estreia foram substituídas por sucessos que o público anseia ouvir. E, de fato, essa mudança fez diferença. A apresentação de sábado fluiu de forma mais harmoniosa do que na estreia, evidenciando a paixão que Ana Carolina ainda possui pelo palco.
A chama que, em alguns momentos, parecia ter se apagado, como no show “Fogueira em alto mar” (2019), ressurgiu com força, relembrando a essência que fez da cantora um ícone da música brasileira.
Essa noite foi uma verdadeira celebração da carreira de Ana Carolina. Apesar de minhas críticas em relação a alguns de seus lançamentos mais recentes, a importância dela na música é inegável. Continuo esperançoso de que um dia ela nos presenteie com um trabalho tão impactante quanto “Estampado”. Contudo, não posso me limitar a essa expectativa. O que importa é aproveitar cada performance e deixar que Ana Carolina me guie em suas noites de pura emoção.

