A Dupla Celebra 40 Anos de História
No último domingo, Claudio Nucci e Zé Renato subiram ao palco do Teatro Rival Petrobras, em uma apresentação marcada por harmonias e sentimentos que remetem ao Brasil de um tempo mais bucólico e poético. Com seus violões a tiracolo, ambos trouxeram à vida a beleza de suas vozes, que ao se entrelaçarem, transportaram o público para um universo musical que homenageia as raízes da música brasileira. Essa jornada musical não poderia ser mais significativa: o reencontro celebrou as quatro décadas do álbum “Pelo sim pelo não”, lançado em 1985.
O clima nostálgico e íntimo da apresentação foi reforçado pela presença constante dos dois no palco, lado a lado, durante toda a performance. Mesmo assim, momentos individuais brilharam, como o solo de Zé Renato em “Ânima”, composto em parceria com Milton Nascimento, e a nova “Flor de muçambê”, que une a suavidade da música à poesia das letras. Claudio Nucci, por sua vez, iluminou a plateia com suas interpretações de “Quero quero” e “Meu silêncio”, este último um clássico que, embora tenha uma forte carga emocional, pode não ter ressoado tanto como a interpretação de Nana Caymmi, a voz original da canção.
Repertório que Encanta
O show também trouxe pérolas da música mineira, como “A bandeira do porvir”, uma composição de Milton Nascimento e Márcio Borges, que foi registrada em disco apenas recentemente, para a felicidade dos fãs. O público também se deliciou com “Quinhentas mais”, a versão em português de “Five Hundred Miles”, um clássico folk que faz parte do repertório de artistas como Peter, Paul and Mary. Essa música, que já encantava no álbum de 1985 da dupla, também foi um dos pontos altos da apresentação, junto com a emblemática “A hora e a vez”, que impressionou pela naturalidade do deslizar entre registros graves e agudos, um verdadeiro deleite para os ouvidos.
Curiosamente, os artistas também relembraram uma gravação excluída do álbum original, “Eu sambo mesmo”, uma canção que, em sua nova interpretação ao vivo, ganhou nova vida e trouxe ao público um samba envolvente, que fluiu com leveza e alegria. O que se viu no palco foi uma combinação perfeita entre vozes e violões, que criou um ambiente sonoro muito mais sedutor do que a gravação de 1985, que foi finalmente lançada em 2025 como lado B do single “A bandeira do porvir”.
Reviver Clássicos com Novas Interpretações
O show, além de oferecer uma viagem musical cheia de nostalgia, também fez referências a canções como “Blackbird”, de John Lennon e Paul McCartney, e “Lamento sertanejo”, de Dominguinhos e Gilberto Gil, trazendo uma mescla rica de influências musicais. O momento mais emocionante ficou por conta de “Salmo”, uma composição de Edu Lobo e Chico Buarque, que foi um dos destaques da trilha sonora do musical “O corsário do rei”. Embora não tenha alcançado a profundidade emocional esperada, trouxe à tona a força espiritual da canção.
Para encerrar em grande estilo, o bis foi marcado por “Quem tem a viola”, uma criação de Zé Renato, Claudio Nucci, Juca Filho e Xico Chaves, que fez o público vibrar. O show chegou ao fim com um clima de alegria, unindo a beleza harmônica das vozes dos cantores à sonoridade folk que ecoou nas cordas dos violões, celebrando uma noite verdadeiramente inesquecível para todos os presentes.

