Fim de uma Era: O Relato da Retirada dos Orelhões
Os orelhões, que por muitos anos foram essenciais para a comunicação, estão prestes a se tornar um relicário do passado no Brasil. Atualmente, mais de 38 mil desses aparelhos, ainda em funcionamento ou não, estão programados para serem retirados das ruas nas diversas cidades brasileiras. Essa mudança significativa ocorre após o término das concessões de serviço de telefonia fixa das operadoras responsáveis, que se deu no ano passado.
A retirada dos orelhões terá início em 2026, momento em que as empresas Algar, Claro, Oi, Sercomtel e Telefônica não terão mais a obrigação de manter esses equipamentos públicos. Essa decisão reflete a evolução da comunicação, que agora está centrada no uso massivo de celulares, tornando os orelhões obsoletos.
Apesar da retirada, as operadoras ainda têm um compromisso de manter a oferta de serviços de telecomunicação por voz. Isso inclui a operação dos orelhões, mas apenas em regime privado, utilizando qualquer tecnologia disponível, em locais onde as empresas sejam as únicas prestadoras até 31 de dezembro de 2028.
A Distribuição dos Orelhões no País
Atualmente, dos 38.354 orelhões ainda existentes no Brasil, mais de 33.346 permanecem ativos, enquanto cerca de 4.497 estão em manutenção. A maioria desses aparelhos está concentrada em São Paulo, onde mais de 27 mil unidades ainda estão em uso. No entanto, a presença de orelhões se estende por todos os estados, com destaque para a Bahia e o Maranhão, que possuem mais de mil aparelhos. Em contrapartida, o Rio de Janeiro conta com apenas 55 unidades.
Entre as operadoras, a Oi foi a primeira a iniciar a retirada e adaptação dos orelhões à nova realidade. A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) deverá divulgar, em breve, mais detalhes sobre o processo de retirada dos aparelhos das companhias Algar, Claro e Telefônica.
A Sercomtel, no entanto, deverá manter todos os orelhões em sua área de concessão — que inclui os municípios de Londrina e Tamarana, no Paraná — até que as adaptações exigidas para o regime privado sejam concluídas. Este cenário levantou discussões sobre a necessidade de um plano alternativo para garantir a comunicação em áreas onde os orelhões ainda são a única opção acessível.
O Que Está por Vir
Com a iminente remoção dos orelhões, o debate sobre a inclusão digital e o acesso à comunicação no Brasil se torna ainda mais relevante. Especialistas têm apontado que, enquanto a maioria da população já possui acesso a celulares, ainda há uma camada significativa que depende de aparelhos públicos para se comunicar, especialmente em áreas remotas ou menos favorecidas.
Agora, com o avanço tecnológico e a prevalência dos smartphones, é crucial que as operadoras desenvolvam soluções que continuem a atender essas partes da população. O desafio será garantir que todos tenham acesso a serviços de comunicação eficientes e acessíveis, mesmo na ausência dos orelhões que, por muito tempo, foram um símbolo da conectividade no Brasil.

