Educação e Direitos Humanos
No dia 16 de novembro, durante o 35º Congresso da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), a ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Macaé Evaristo, fez uma afirmativa contundente: a dignidade humana é fundamental para garantir um ensino de qualidade. O evento, que acontece em Brasília (DF) e reúne mais de 2 mil profissionais da educação, tem como pauta temas relevantes como democracia, sustentabilidade e soberania.
Na sua participação no painel intitulado “Diversidade e Sustentabilidade Socioambiental”, a ministra, que possui uma trajetória consolidada na educação, ressaltou a importância dos movimentos sociais na sua formação. Referindo-se a Anísio Teixeira, ela destacou o papel da escola pública como a verdadeira “fábrica” da democracia no Brasil. Macaé alertou para o perigo de reduzir conceitos de direitos humanos a meros slogans, enfatizando a necessidade de transformá-los em práticas efetivas nas instituições de ensino.
“Não se pode afirmar que temos garantido o direito à educação se não houver uma política que valorize o trabalho, o salário mínimo e os direitos humanos”, declarou Macaé, reiterando a interdependência entre educação de qualidade e a promoção de direitos fundamentais.
O painel contou também com a presença do secretário de Combate ao Racismo da CNTE, Carlos Furtado, e da representante do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação do Rio de Janeiro (Sepe-RJ), Izabel Gomes Cristina da Costa Paolino. Juntos, eles debateram a importância de se incorporar a educação em direitos humanos como uma política pública estruturante e contínua.
Educação em Direitos Humanos
A ministra Macaé defendeu que a educação em direitos humanos deve ser uma prioridade nas políticas públicas. Para ela, apesar dos desafios enfrentados atualmente, é essencial que essa abordagem seja transversal e permanente nas escolas. “Devemos refletir sobre como a educação em direitos humanos se relaciona com as práticas pedagógicas, considerando todos os envolvidos no processo educacional, incluindo estudantes, educadores e a comunidade escolar”, afirmou.
Durante sua fala, a titular do MDHC também tocou no conceito de soberania nacional, que deve servir como um pilar para garantir a dignidade de todas as pessoas. Ela convocou os educadores a revisitar sua compreensão sobre direitos humanos e a se posicionarem como defensores ativos dessa causa.
“É imprescindível que estejamos solidamente comprometidos com a defesa dos direitos humanos, articulando essa luta a uma nova concepção do direito à educação. Isso envolve promover pensamento crítico e assegurar o acesso real e efetivo ao ambiente escolar”, ressaltou. Macaé destacou que a educação deve ser entendida como um processo que vai além da mera escolarização, sendo essencial na construção de uma sociedade mais justa e humana.
Soberania e Identidade
Em sua fala, a ministra trouxe à tona um exemplo emblemático: “Uma escola cívico-militar, onde uma menina negra é impedida de usar seu cabelo black, é uma instituição que tenta apagar sua identidade e subjetividade, desconsiderando sua humanidade. E isso é inaceitável”, defendeu. Essa declaração ilustra bem como a educação deve ser um espaço de acolhimento e respeito à diversidade, promovendo a inclusão de todos os estudantes.
Portanto, a mensagem da ministra Macaé Evaristo é clara: para que a educação se torne um real direito de todos, é vital que os princípios dos direitos humanos sejam incorporados de maneira prática e efetiva nas escolas, promovendo um ensino que valorize cada indivíduo e suas particularidades. Assim, a construção de um futuro mais justo e igualitário se torna uma possibilidade viável.

