Aliança em meio a desavenças
Após um intenso confronto nas eleições para a prefeitura de Goiânia em 2024, que evidenciou um racha na direita, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), e o PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, iniciam negociações para formar uma aliança para as próximas eleições estaduais. O objetivo é claro: emplacar a pré-candidatura do vice-governador Daniel Vilela (MDB) ao Palácio das Esmeraldas, enquanto o PL busca consolidar uma chapa forte para o Senado.
O diálogo entre Caiado e o PL foi reforçado em um encontro realizado no final de dezembro, onde o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi uma das vozes presentes. De acordo com Vilela, a conversa foi madura e focada em manter um canal aberto para intensificar as tratativas, visando 2026. “As decisões virão com o tempo e a maturidade política necessária”, declarou.
A negociação com apoio político
A aproximação entre o União Brasil e o PL começou há cerca de um ano, durante uma visita de Vilela a Jair Bolsonaro. Essa visita foi facilitada pelo ex-deputado e vereador Major Victor Hugo (PL), que já exerceu a liderança do governo de Bolsonaro na Câmara. Contudo, a tentativa de aliança não ocorreu sem resistência interna.
No passado, a reunião provocou uma nota de repúdio do presidente estadual do PL, o senador Wilder Morais (GO), que se declarou pré-candidato ao governo de Goiás. Wilder criticou a postura de quem se alia a adversários, especialmente após a disputa pela prefeitura de Goiânia, que terminou com a vitória de Sandro Mabel (MDB), apoiado por Caiado, em um acirrado segundo turno contra Fred Rodrigues (PL).
Divisões e estratégias dentro do PL
O lançamento da pré-candidatura de Wilder Morais gerou divisões no PL, com um grupo defendendo apoio ao vice-governador enquanto outro pleiteava uma candidatura própria. A chapa do PL, além de Wilder, inclui o deputado federal Gustavo Gayer (PL-GO) como pré-candidato ao Senado. Recentemente, o partido divulgou uma nota enfatizando a necessidade de uma unidade interna para formar uma chapa robusta que tenha forte apelo junto ao eleitorado conservador de Goiás.
Com o objetivo de fortalecer a candidatura de Wilder, o PL tem promovido encontros entre seus membros e apoiadores ao longo de dezembro, em resposta a cobranças para que o senador aparecesse mais publicamente. Na última pesquisa Genial/Quaest, Wilder apareceu em terceiro lugar, com apenas 10% das intenções de voto, enquanto Vilela liderava com 26% e Marconi Perillo (PSDB) marcava 22%, mas sua candidatura ainda é vista com incertezas entre aliados.
Prefeitos deixam o PL em busca de apoio
Alguns membros do PL que estão próximos ao MDB acreditam que a pré-candidatura de Wilder é uma estratégia para marcar território e facilitar futuras negociações com Vilela. Entretanto, a sigla enfrenta uma onda de desfiliações, com prefeitos abandonando a legenda em busca de apoio no União Brasil ou no MDB, o que, segundo o vice-presidente estadual do PL, Fred Rodrigues, gerou desconforto.
Rodrigues criticou a abordagem do PL em relação aos prefeitos, afirmando que isso não é uma boa estratégia. Apesar disso, ele reconheceu que há interesse na composição com a primeira-dama Gracinha Caiado (União Brasil), que tem se destacado nas pesquisas para o Senado. “As ações atuais contra os prefeitos não representam um bom cartão de visitas e podem complicar as negociações futuras”, concluiu Rodrigues.
Movimento nacional e estratégia de Caiado
Enquanto isso, Ronaldo Caiado continua sua busca por apoio da base bolsonarista, reforçando seu discurso sobre segurança pública e a postura antipetista. No ano passado, ele chegou a fazer promessas de anistia a Bolsonaro, caso fosse vitorioso nas eleições presidenciais. Em dezembro, Caiado reafirmou sua pré-candidatura, mesmo após Flávio ter sido escolhido para representar Bolsonaro na corrida pelo Planalto. Essa movimentação mostra claramente que, apesar das desavenças, as alianças políticas e as estratégias estão em constante transformação nas esferas estaduais e nacionais.

