Negociações sobre Tarifas de Chips Avançados
A Coreia do Sul está se preparando para novas negociações com os Estados Unidos visando condições mais favoráveis em relação às tarifas impostas sobre chips. Essa discussão acontece em um momento de crescente tensão comercial entre as duas nações, especialmente após a visita de líderes globais, como Donald Trump e Xi Jinping, a Busan, na Coreia do Sul. O porta-voz do governo sul-coreano enfatizou que, no ano anterior, um acordo comercial estabeleceu garantias para que o país não fosse tratado de forma desigual em relação a tarifas sobre chips importados, quando comparado a seus principais concorrentes.
No último sábado, o ministro do Comércio da Coreia do Sul, em declarações à imprensa, minimizou o impacto que as tarifas americanas sobre alguns chips de computação avançada poderiam ter nas empresas sul-coreanas, como a Samsung Electronics e a SK Hynix, que figuram entre os maiores fabricantes de memória do mundo. Essa afirmação reflete a confiança do governo sul-coreano na resiliência de suas indústrias diante de desafios comerciais internacionais.
No cenário mais amplo, em outubro de 2025, Trump havia anunciado um acordo entre os dois países que prometia uma série de mudanças nas tarifas comerciais. A declaração foi recebida com otimismo, resultando na valorização do won frente ao dólar, o que sugere uma diminuição das incertezas econômicas que afetavam a Coreia do Sul, país cuja economia é fortemente dependente do comércio exterior. Durante um jantar oferecido pelo presidente sul-coreano, Lee Jae Myung, Trump se mostrou confiante ao afirmar que o pacto estava ‘praticamente concluído’.
O acordo, segundo Kim Yong-beom, assessor do presidente sul-coreano, estipulava tarifas reduzidas sobre automóveis e incluía compromissos de investimento significativos. O entendimento resultou na diminuição das tarifas de veículos entre os dois países para 15%. Além disso, o pacote prevê um investimento sul-coreano de US$ 350 bilhões nos Estados Unidos, sendo que US$ 200 bilhões seriam aportes diretos e os outros US$ 150 bilhões destinados à cooperação no setor naval.
Se o acordo não tivesse sido firmado, as montadoras e siderúrgicas sul-coreanas teriam que lidar com tarifas de 25%, o que as colocaria em desvantagem em comparação com as montadoras japonesas, que passaram a pagar 15% após a assinatura de um acordo similar com os americanos. A cúpula entre Trump e Lee ocorreu durante uma visita do presidente dos EUA a três países asiáticos, que teve início na Malásia, onde participou de uma reunião da ASEAN.
Contudo, apesar das promessas de um acordo, autoridades da Coreia do Sul indicaram que ainda existem diferenças significativas entre os dois países, especialmente no aspecto financeiro do pacote de investimentos de US$ 350 bilhões. Seul busca reavaliar o montante, considerando a inclusão de mais empréstimos e garantias, o que pode complicar o avanço nas negociações.

