Impacto do Acordo no Comércio Internacional
Após mais de 25 anos de negociações, o tão aguardado acordo econômico entre Mercosul e União Europeia (UE) foi finalmente assinado. A cerimônia de ratificação ocorreu no último sábado, em Assunção, Paraguai, com a presença de líderes de diversas nações sul-americanas e europeias. O evento contou com a participação de Santiago Peña, presidente paraguaio, e de seus colegas da Argentina, Uruguai, Bolívia e Panamá, além das autoridades da UE, como Ursula von der Leyen e António Costa.
Santiago Peña destacou a importância do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva no processo, afirmando que, “sem ele, não haveria acordo”. O momento foi também de solidariedade, com menções ao povo venezuelano e ao líder Nicolás Maduro, cuja recente prisão gerou preocupações na região. António Costa comemorou a nova aliança, manifestando a necessidade de um comércio justo em tempos turbulentos.
O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços do Brasil (MDIC) emitiu uma nota celebrando a assinatura. Segundo a pasta, o acordo representa um acesso preferencial à UE, que conta com um mercado de 450 milhões de pessoas e cerca de 15% do PIB global. A expectativa é de que a eliminação de tarifas pela UE para 92% das exportações do Mercosul, que somam aproximadamente US$ 61 bilhões, beneficie significativamente o comércio entre os blocos.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) corroborou a importância do tratado, ressaltando que ele pode aumentar o acesso do Brasil ao comércio internacional, saltando de 8% para 36%. Segundo a CNI, o acordo é um marco para o fortalecimento da indústria nacional e para a diversificação das exportações.
Possíveis Reduções de Preços e Novas Oportunidades
Embora a assinatura do tratado celebra um progresso significativo, sua implementação ainda depende da ratificação pelos parlamentos dos países envolvidos. Analistas preveem que, eventualmente, o acordo poderá resultar em uma queda nos preços de produtos importados ao Brasil, como vinhos, azeites, queijos e lácteos. Além disso, a expectativa é que novas marcas, antes não disponíveis no mercado brasileiro, possam começar a ser comercializadas.
Outros produtos, como veículos e insumos agrícolas, também podem se beneficiar de preços mais acessíveis, assim como medicamentos. No que diz respeito às exportações, espera-se que produtos agropecuários e calçados brasileiros ganhem mais espaço na Europa, já que as tarifas de importação serão suficientemente reduzidas.
As negociações que levaram a esse acordo passaram por momentos difíceis, especialmente até o final de 2025, quando o Parlamento Europeu aprovou salvaguardas para proteger os agricultores europeus contra a concorrência do Mercosul, principalmente em relação à carne. Essas salvaguardas são uma forma de assegurar que a UE possa suspender temporariamente as vantagens tarifárias em caso de invasão de produtos agrícolas.
Por que Lula não Esteve Presente?
Apesar da relevância do tratado, Lula não participou do evento em Assunção. Segundo alguns veículos de comunicação, a decisão do governo foi de que a cerimônia deveria ser restrita aos ministros de Relações Exteriores dos países sul-americanos, mas a situação mudou quando o presidente paraguaio decidiu elevar o evento ao nível de chefes de Estado.
Lula, no entanto, se reuniu com Ursula von der Leyen um dia antes da assinatura, em um encontro no Rio de Janeiro onde discutiram os avanços do acordo e o futuro do comércio entre Brasil e Europa. Ambos expressaram otimismo sobre os benefícios que o tratado pode trazer para a prosperidade compartilhada entre as nações.
Expectativas e Críticas ao Acordo
O acordo Mercosul-UE estabelece um marco que promete mudanças significativas nas relações comerciais, prevendo a redução de tarifas que podem levar a um aumento no comércio entre os dois blocos. A dimensão desse tratado é imensa, abrangendo mais de 700 milhões de pessoas e criando uma das maiores zonas de livre comércio do mundo.
Embora a perspectiva seja positiva, o acordo também enfrenta críticas. Agricultores europeus expressam suas preocupações sobre a concorrência desleal, já que muitos produtos sul-americanos podem ser mais baratos devido a menores custos de produção. Protestos em diversos países europeus, como França e Irlanda, têm sido registrados, com agricultores exigindo reconsiderações sobre o tratado.
Cabe destacar que, do lado sul-americano, há a preocupação de que o acordo não assegure adequadamente os direitos dos trabalhadores e a proteção ambiental, como apontam líderes sindicais. A CNI, por sua vez, vê o tratado como uma oportunidade significativa para o Brasil, prometendo trazer benefícios em termos de investimentos e acessibilidade no comércio internacional.
Uma Nova Era Comercial
Por fim, a realidade é que o acordo Mercosul-UE representa não apenas uma mudança nas relações comerciais, mas um fortalecimento do multilateralismo em um cenário global cada vez mais polarizado. O impacto econômico direto pode ser modesto, mas as implicações geopolíticas são indiscutíveis, sugerindo uma nova era nas interações comerciais entre a América do Sul e a Europa.

