Capitais do Nordeste em Alta
Os aluguéis nas principais cidades do Brasil apresentaram um aumento significativo em 2025, com uma média de quase 10%. Este cenário é liderado, principalmente, pelas capitais do Nordeste, que ocupam três das cinco primeiras posições no ranking de maiores altas. Teresina, por exemplo, alcançou um impressionante aumento de 21,8%, seguida por Belém, que se destacou ao sediar a COP30 no ano passado, registrando uma alta de 17,62%.
Além disso, Aracaju apareceu em terceiro lugar com uma elevação de 16,73%. A lista segue com Vitória e João Pessoa, apresentando aumentos de 15,46% e 15,31%, respectivamente. Esses dados refletem uma continuidade do aquecimento do mercado imobiliário, embora o ritmo de crescimento tenha desacelerado em comparação com anos anteriores. Em 2024, por exemplo, o aumento médio de aluguel foi de 13,5%, enquanto em 2023 e 2022, os índices haviam subido 16% ao ano, impulsionados por um salto na demanda pós-pandemia.
Acompanhamento do Índice FipeZAP
Os números referentes aos aluguéis são extraídos do Índice FipeZAP, que é calculado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) e considera anúncios de imóveis disponíveis na OLX/Zap. O estudo abrange 36 cidades brasileiras, incluindo diversas capitais. Apesar da desaceleração no aumento, os dados indicam que a subida nos preços continua superando a inflação média ao consumidor, que, segundo o IBGE, ficou em torno de 3% em 2025, com uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual.
As capitais apresentaram variações significativas nos aluguéis, com destaque para as lideranças em alta:
- Teresina (PI): 21,81%
- Belém (PA): 17,62%
- Aracaju (SE): 16,73%
- Vitória (ES): 15,46%
- João Pessoa (PB): 15,31%
- Cuiabá (MT): 14,61%
- Belo Horizonte (MG): 13,01%
- Fortaleza (CE): 12,45%
- Salvador (BA): 12,38%
- Maceió (AL): 12,22%
- São Luís (MA): 11,37%
- Curitiba (PR): 10,98%
- Rio de Janeiro (RJ): 10,87%
- Natal (RN): 10,13%
- Recife (PE): 9,82%
- Porto Alegre (RS): 9,38%
- Florianópolis (SC): 9,35%
- São Paulo (SP): 7,98%
- Brasília (DF): 6,41%
- Goiânia (GO): 4,67%
- Manaus (AM): 1,06%
A menor variação foi observada em Manaus, cuja alta foi de apenas 1%, representando na prática uma queda real, já que a média de reajuste na região ficou abaixo da inflação cumulativa no ano.
Aumento nos Aluguéis em Cidades de Médio Porte
Além das capitais, o FipeZAP também analisa o comportamento dos aluguéis em quatorze cidades de médio porte. Nesse grupo, Campinas (SP) foi a líder em alta, com um aumento de 19,92%. Pelotas (RS) seguiu na sequência com 18,81%, enquanto Niterói (RJ) registrou uma elevação de 16,27%. As altas nos preços de locação revelam um cenário que pode ser preocupante para os inquilinos, especialmente em um período de instabilidade econômica.
Quando analisamos os imóveis por número de dormitórios, os de três quartos foram os que mais encareceram, com um aumento médio de 10,19%. Imóveis com até um quarto também apresentaram alta, com 9,81%, seguidos por aqueles com quatro ou mais dormitórios (9,64%) e, por fim, os de dois quartos (9,19%).
Retorno do Aluguel e Comparações com Aplicações Financeiras
Outro ponto relevante da pesquisa foi a análise do retorno que os proprietários obtêm ao alugar seus imóveis. Em dezembro de 2025, essa taxa alcançou 5,96% ao ano, demonstrando que, com os preços mantidos, o aluguel gerou uma rentabilidade de quase 6% sobre o valor do imóvel. Apesar de ficar abaixo da rentabilidade de muitas aplicações financeiras, esta é a taxa mais alta desde 2011, quando se aproximou desse patamar em vários meses do ano.
Em uma análise comparativa, a rentabilidade média foi mais expressiva para imóveis de um dormitório, atingindo 6,68% ao ano, enquanto imóveis de dois dormitórios chegaram a 6,21%. Esses dados revelam um panorama dinâmico e desafiador para o setor de locação, indicando que, apesar de uma desaceleração, a demanda por imóveis segue robusta, influenciando diretamente as expectativas e decisões dos investidores.

