Nova Realidade Salarial dos Professores
Durante as férias escolares, os professores da rede pública do Estado do Rio de Janeiro se depararam com uma situação alarmante. Com o novo salário-mínimo nacional fixado em R$ 1.621,00 desde 1º de janeiro, muitos docentes, cujo vencimento-base é de R$ 1.588,41, verificaram que seus salários estão abaixo do mínimo legal.
Esse dado não é apenas retórico; é uma realidade matemática que expõe um problema sério no campo da educação pública. O impacto do reajuste do salário-mínimo nacional, que veio de Brasília, expõe o rebaixamento salarial sofrido pelos professores ao longo dos anos, uma situação que não tem recebido a adequação necessária por parte do governo estadual.
Até o momento, o governo fluminense não adotou nenhuma medida para corrigir essa discrepância. Em vez disso, manteve uma estrutura salarial que foi corroída pela inflação e pelo aumento do custo de vida. Esse cenário indica uma clara política de desvalorização da profissão docente, um fator que não deve ser ignorado.
Uma Escolha Política
É fundamental ressaltar que essa situação não é fruto de um erro administrativo ou falta de atenção. Trata-se de uma escolha política deliberada, sustentada por sucessivos governos estaduais e profundada pela atual administração de Cláudio Castro. Quando um professor começa a receber menos do que o salário-mínimo, isso comunica uma mensagem ainda mais preocupante: que o trabalho de ensinar é considerado menos importante do que simplesmente sobreviver.
É crucial mencionar que a administração atual não é uma abstração, mas tem responsabilidade direta sobre as políticas que afetam a educação. Observando a falta de uma política de valorização docente e a inexistência de uma carreira estruturada, fica claro que a educação pública não está entre as prioridades do governo.
O piso salarial do magistério deve ser visto como uma referência mínima, e não como um teto. Contudo, o Estado tem cumprido esse piso apenas de maneira formal, utilizando abonos e artifícios contábeis que não integram o vencimento-base, não afetam a carreira e não têm impacto nas aposentadorias dos professores.
Consequências da Desvalorização
Essa prática gera consequências desastrosas: uma carreira desestimulante e sem atratividade, que resulta em evasão, adoecimento e até abandono das salas de aula. Esse quadro, se não for enfrentado, pode levar a um verdadeiro apagão da educação pública.
Uma sociedade que se considera civilizada não pode permitir que seus professores sejam tratados dessa forma. Quando os docentes são empurrados para a pobreza, toda a estrutura escolar sofre as consequências. É um ciclo vicioso que compromete a qualidade do ensino e a continuidade do trabalho dos profissionais da educação.
A Necessidade de Valorização
A retórica oficial frequentemente afirma que a educação é prioridade; no entanto, essa prioridade não se reflete em investimento, salários e carreiras dignas. No Rio de Janeiro, essa contradição é evidente, com professores lutando para sobreviver enquanto o governo oferece isenções e renegociações de dívidas que não beneficiam a educação pública.
O salário dos professores é muito mais do que um detalhe administrativo; ele é um reflexo da posição da educação no projeto de Estado. Atualmente, essa posição é marginalizada, questionando qual educação se deseja promover com docentes mal remunerados.
Receber menos do que o salário-mínimo não é apenas um problema financeiro, mas uma violência simbólica que desvaloriza o trabalho intelectual e pedagógico. Essa realidade impacta não só os professores, mas também os estudantes e as comunidades ao redor delas, prejudicando a qualidade do ensino e o futuro do Estado.
A Luta pela Valorização Docente
Sem um reconhecimento adequado dos professores, não é possível ter uma escola pública forte. E sem essa força, não há desenvolvimento, cidadania ou democracia. Naturalizar essa situação revela uma sociedade desigual, onde o acesso a uma educação pública de qualidade é mais um privilégio do que um direito.
Portanto, é urgente que essa discussão retorne ao centro do debate público, não como uma reivindicação corporativa, mas como uma questão estrutural e social. A luta por salários justos, carreiras adequadas e o respeito ao piso salarial é, na verdade, uma luta pela sobrevivência da educação pública.
É necessário exigir maior transparência e compromisso político. A sociedade civil, seus representantes e movimentos sociais devem se mobilizar para promover ações concretas que impactem essa realidade. O Legislativo estadual não pode continuar ignorando essa questão, e a sociedade não deve aceitar que o futuro da educação se torne um assunto secundário.
Valorizar a educação é mais do que um discurso ocasional; é garantir salários dignos e carreiras estruturadas. Enquanto os professores forem vistos como um custo ao invés de um investimento, o Rio de Janeiro, assim como o Brasil, continuará a aprofundar desigualdades sociais. O aumento do salário-mínimo não foi acompanhado pelo dos professores, o que evidencia uma mensagem pedagógica clara sobre o valor que a sociedade atribui a quem educa. Em 2026, essa realidade deverá ser confrontada sem rodeios. Ganhar abaixo do mínimo não é apenas uma questão de ideologia, mas um aspecto de decência. Se os governantes persistirem em ignorar esse limite civilizatório, a responsabilidade recairá sobre a sociedade para exigir mudanças, pois desvalorizar o professor é, de fato, comprometer o futuro do país.

